**Prazo dos EUA para decidir tarifa adicional sobre produtos brasileiros termina nesta quarta**
Termina nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para definir se será aplicada uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações de produtos brasileiros.
Até o momento, não há previsão de acordo entre os dois países. As negociações enfrentam impasses em temas como o Pix, o etanol e o açúcar.
O governo brasileiro resiste a discutir mudanças no sistema de pagamentos instantâneos. Já os Estados Unidos não aceitaram, até agora, reduzir a sobretaxa aplicada ao açúcar brasileiro como contrapartida a eventuais alterações na tarifa cobrada sobre o etanol norte-americano que entra no Brasil.
A investigação norte-americana foi aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA. O USTR aponta supostas práticas desleais do Brasil em áreas como meios de pagamento, comércio de etanol, desmatamento ilegal e outros temas.
A pressão comercial ocorre em um contexto de maior disputa geopolítica no continente americano. A política externa do governo Donald Trump busca reforçar a influência dos Estados Unidos na América Latina, em meio ao avanço econômico e tecnológico da China na região.
Nas últimas duas décadas, o Brasil ampliou de forma significativa suas relações comerciais com os chineses, que se consolidaram como principal parceiro comercial do país.
O Ministério das Relações Exteriores contestou as acusações feitas pelo USTR. O governo brasileiro afirma que a adoção de novas tarifas prejudicaria uma relação bilateral relevante para os dois países e reduziria o espaço para negociações práticas.
Um dos principais pontos de atrito é o etanol. Os Estados Unidos querem a retirada de tarifas de importação sobre o produto norte-americano. O Brasil, por outro lado, tenta manter o setor fora das negociações e defende que qualquer discussão seja vinculada à redução das barreiras impostas ao açúcar brasileiro no mercado dos EUA.
O setor sucroenergético brasileiro considera o tema estratégico, especialmente para estados do Nordeste. Entidades como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a União Nacional do Etanol de Milho e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil sustentam que a queda nas importações de etanol dos Estados Unidos está relacionada, sobretudo, ao crescimento da produção nacional.
O açúcar brasileiro enfrenta forte restrição para entrar no mercado norte-americano, com sobretaxa próxima de 100%, segundo o governo brasileiro. Por isso, Brasília tenta tratar as duas cadeias produtivas de forma conjunta nas conversas comerciais.




