Projeto oferece atendimento médico a comunidades ribeirinhas no Amazonas

# Novos pontos de saúde reduzem deslocamentos de ribeirinhos no Médio Juruá

Dois pontos de apoio em saúde foram inaugurados em Carauari, no interior do Amazonas, para ampliar o atendimento a comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, na região do Médio Rio Juruá. As unidades ficam nas bases da Fundação Amazônia Sustentável nas regiões de Bauana e Campina.

A iniciativa deve beneficiar cerca de 4,7 mil pessoas em 56 comunidades. Até então, muitos moradores precisavam viajar por horas ou até dias de rabeta ou lancha para chegar à zona urbana de Carauari, onde ficavam concentrados os serviços de saúde.

O município tem cerca de 28 mil habitantes, segundo o IBGE, e está a mais de 1,6 mil quilômetros de Manaus por via fluvial. No período de seca, a viagem em lancha expressa pode durar aproximadamente 36 horas. Em boa parte da zona rural, o acesso é feito exclusivamente pelos rios.

Entre os moradores beneficiados está Aldeniza Silva e Silva, da comunidade de Boa Vista. Grávida de sete meses do quinto filho, ela precisava se deslocar até a cidade para fazer o pré-natal. Por causa da distância, havia conseguido realizar apenas três consultas, embora o Ministério da Saúde recomende no mínimo seis atendimentos durante a gestação.

Situação semelhante era enfrentada por moradores de outras comunidades, como Bauana, onde o deslocamento até a área urbana pode levar cerca de 12 horas de rabeta. Além do tempo de viagem, o custo com combustível também dificultava o acesso aos serviços.

## Estrutura das unidades

Os dois novos pontos contam com consultórios para atendimentos presenciais e remotos, sala de triagem, consultório odontológico, internet, equipamentos de telessaúde e espaços de apoio para permanência das equipes.

Os serviços são integrados ao Sistema Único de Saúde. O projeto funciona em parceria com a rede pública municipal, com profissionais vinculados à Estratégia Saúde da Família.

A unidade de Bauana foi inaugurada no dia 19 e recebeu o nome de Raimundo Ribeiro de Lima, conhecido como Saborá, liderança comunitária da região. Já o ponto de Campina foi entregue no dia 21 e leva o nome de Laice Santos do Nascimento, também liderança local.

Cada unidade terá um enfermeiro e um técnico em enfermagem em regime de revezamento a cada 15 dias. Também estão previstos atendimentos médicos e odontológicos com demanda agendada, além de teleconsultas com profissionais da sede do município quando houver necessidade.

## Atendimento mais perto das comunidades

Com os novos pontos, casos que antes poderiam exigir acionamento de lanchas de resgate passaram a ser atendidos mais perto das comunidades. Somente em Campina, na semana de inauguração, cinco deslocamentos de emergência foram evitados.

Entre os primeiros atendimentos realizados estiveram ferimentos, pré-natal, acompanhamento de hipertensos e casos de gripe, especialmente em crianças. Um jovem da comunidade de Xibuauzinho, por exemplo, recebeu atendimento após ferir o pé ao pisar em uma tábua com pregos. Uma criança que se machucou com anzol também foi atendida no local.

Em situações graves, a prefeitura de Carauari mantém o uso das ambulanchas, embarcações de resgate que buscam pacientes nas comunidades e os levam até a cidade. No entanto, a expectativa é que a presença das novas unidades reduza a necessidade desses deslocamentos em casos de menor complexidade.

## Projeto SUS na Floresta

Os pontos fazem parte do projeto SUS na Floresta, criado para adaptar a Atenção Primária à Saúde à realidade de comunidades ribeirinhas e tradicionais da Amazônia. O modelo leva em conta fatores como longas distâncias, sazonalidade dos rios, dificuldade de fixação de profissionais e características culturais dos territórios.

A iniciativa integra o programa Juntos pela Saúde e é executada pela Fundação Amazônia Sustentável, em parceria com o BNDES e a Umane. A gestão é do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com apoio técnico da Prefeitura de Carauari e da Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas.

O projeto começou a ser estruturado pela FAS em 2020, durante a pandemia de covid-19, quando comunidades ribeirinhas ficaram mais vulneráveis à falta de atendimento. A proposta é garantir assistência mesmo em períodos de crise sanitária ou eventos climáticos extremos.

Ao todo, o SUS na Floresta prevê seis pontos de atendimento. O primeiro foi inaugurado em abril na comunidade do Ubim, em Eirunepé, com apoio do BNDES e do Fundo Vale. Com as novas unidades em Bauana e Campina, o projeto passa a contar com três pontos em funcionamento.

Ainda estão previstos mais três: um em Itapiranga e dois em Novo Aripuanã. Também será entregue um alojamento de apoio para profissionais de saúde em Uarini.

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