O jornal norte-americano *The Washington Post* publicou neste domingo (26) um artigo assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que ele critica a política tarifária adotada pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
No texto, Lula contesta as justificativas apresentadas por Washington para a aplicação das tarifas e sustenta que as medidas também podem afetar negativamente a economia norte-americana. O conteúdo em português foi divulgado nas redes sociais do presidente.
O presidente atribui à decisão do governo de Donald Trump um componente ideológico e afirma que a medida teria relação com tentativas de interferência na política brasileira e no processo eleitoral deste ano.
Lula também menciona declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. No início de junho, Rubio retirou o Brasil da lista de países considerados amigáveis aos EUA na América Latina.
Desde o início das taxações, em abril de 2025, o governo brasileiro tem argumentado que os Estados Unidos mantêm superávit na relação comercial com o Brasil. No artigo, Lula reforça essa posição e indica que empresas brasileiras poderão buscar fornecedores e parceiros em outros mercados caso as tarifas sejam mantidas.
Em 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
A medida atingiu exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não ligadas ao setor de aviação e outros bens manufaturados.
O USTR justificou a cobrança alegando que determinadas práticas brasileiras seriam inadequadas e poderiam prejudicar agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores norte-americanos.
No artigo, Lula contesta essa avaliação e afirma que as tarifas podem encarecer produtos consumidos nos Estados Unidos, já que setores industriais norte-americanos dependem de insumos importados do Brasil. Entre os segmentos citados estão alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e outros itens.
O presidente também defende a atuação brasileira no combate ao desmatamento, a legislação nacional voltada ao enfrentamento de crimes nas redes sociais e o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do país. Esses temas já foram alvo de críticas do governo norte-americano em momentos recentes da relação bilateral.
Ao final do texto, Lula mantém a posição de que o Brasil está aberto ao diálogo, desde que a soberania nacional seja respeitada e que a relação entre os países seja baseada em reciprocidade.




