# Queimadas urbanas somam 1,2 mil atendimentos em MS até julho de 2026
As queimadas em áreas urbanas seguem como um problema frequente em Mato Grosso do Sul durante a estiagem. De janeiro a julho de 2026, o Corpo de Bombeiros Militar registrou 1.200 atendimentos relacionados a esse tipo de ocorrência no Estado, média de 5,7 casos por dia.
Em Campo Grande, foram 500 registros no período, o equivalente a 2,4 atendimentos diários. Os dados ainda são parciais, mas mantêm o alerta sobre a prática irregular de usar fogo para limpar terrenos, eliminar resíduos e queimar materiais em áreas urbanas.
Em 2025, Mato Grosso do Sul contabilizou 3.550 ocorrências de queimadas urbanas. No ano anterior, o número chegou a 4.452 casos.
Um incêndio em terreno baldio no Jardim Los Angeles, na Capital, no mês passado, espalhou fumaça e fuligem por imóveis próximos. Situações semelhantes são recorrentes em diferentes bairros e municípios durante os meses de baixa umidade.
Além dos chamados aos bombeiros, há um grande volume de denúncias. Em Campo Grande, a Guarda Civil Metropolitana recebeu 834 denúncias sobre queimadas em 2025. A Ouvidoria-Geral do Município registrou outras 340 reclamações relacionadas ao uso de fogo na limpeza de terrenos baldios no mesmo período.
A fumaça gerada pela queima de vegetação, lixo e outros materiais prejudica a qualidade do ar e amplia os riscos à saúde. Partículas finas e gases tóxicos podem causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças como asma, bronquite, pneumonia e doença pulmonar obstrutiva crônica.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição provocada pelas queimadas.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde apontam que Mato Grosso do Sul registrou 1.776 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave até a Semana Epidemiológica 15 de 2026, com 133 mortes. Durante a estiagem, a baixa umidade somada à fumaça das queimadas contribui para a piora das condições respiratórias e para o aumento da procura por atendimento médico.
O Corpo de Bombeiros recomenda que a população não utilize fogo para eliminar folhas, galhos, lixo ou limpar terrenos. Ao identificar focos de incêndio ou princípios de queimada, a orientação é acionar o telefone 193.
Provocar queimadas é crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605, de 1998. A infração pode resultar em multa e pena de até quatro anos de prisão.
Na Capital, também há penalidades administrativas. As multas podem alcançar R$ 11.590,37 em casos de queima de resíduos a céu aberto e R$ 6.781 para queimadas em terrenos baldios ou quintais.
Como medida preventiva, a Prefeitura de Campo Grande realiza a campanha “Diga Não às Queimadas Urbanas – Agosto Alaranjado 2026”, com ações de conscientização durante o período de seca. O Estado também conta com a Semana Estadual de Conscientização, Prevenção e Combate à Prática de Queimadas Urbanas, prevista em lei e realizada anualmente na semana que inclui o dia 12 de agosto.




