Cardiologista alerta para a importância de controlar o colesterol desde a infância

# Prevenção e tratamento ajudam a reduzir riscos do colesterol elevado

No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado neste sábado (8), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça a importância do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos saudáveis para reduzir complicações cardiovasculares.

Estudo publicado em setembro de 2025 recomenda que a primeira dosagem de colesterol seja realizada aos 10 anos de idade, juntamente com exames preventivos como o de glicose. Quando há alteração nos níveis, é necessário buscar avaliação médica e seguir o tratamento indicado.

A interrupção de medicamentos sem orientação profissional pode elevar novamente o colesterol e aumentar o risco de problemas como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

## Alimentação equilibrada

A SBC alerta que níveis altos de colesterol estão relacionados a fatores de estilo de vida que afetam tanto a saúde cardiovascular quanto o metabolismo.

Dietas restritas ao consumo de carne, sem alimentos de origem vegetal, não são recomendadas para o controle do colesterol. Esse padrão alimentar tende a ter grande quantidade de gordura saturada, capaz de elevar o LDL, conhecido como colesterol ruim.

Pessoas com colesterol alto devem limitar o consumo excessivo de carne vermelha. Uma dieta rica nesse tipo de alimento também pode aumentar o ácido úrico e contribuir para a formação de placas de gordura nas artérias.

A orientação é manter uma alimentação equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras em proporções adequadas. O consumo de gordura saturada, presente principalmente em carnes vermelhas, chocolates, frios e embutidos, deve ser reduzido.

Também é recomendado evitar a gordura trans, comum em produtos ultraprocessados, como salgadinhos e biscoitos recheados.

Mudanças na alimentação podem reduzir os níveis de colesterol entre 5% e 10%. Isso ocorre porque cerca de 70% do colesterol é produzido pelo próprio organismo.

Quando os níveis ultrapassam 300 miligramas por decilitro (mg/dL), há maior possibilidade de origem genética. Nesses casos, alterações no estilo de vida podem não ser suficientes, tornando necessário o uso de medicamentos.

## Exercícios, sono e estresse

A prática regular de atividade física é outro componente importante da prevenção. A recomendação é acumular entre 150 e 300 minutos de exercícios por semana.

Sono inadequado também pode prejudicar o metabolismo e favorecer o aumento do colesterol e dos triglicérides. Essas substâncias estão relacionadas ao processo inflamatório que contribui para a aterosclerose, caracterizada pela formação de placas nas artérias.

O estresse pode agravar fatores cardiovasculares, ao elevar a pressão arterial e dificultar o controle do colesterol.

## Uso de estatinas

Nos casos de hipercolesterolemia genética, o tratamento geralmente envolve estatinas, medicamentos prescritos para reduzir o colesterol. Se o uso isolado desse tipo de remédio não alcançar a meta definida pelo médico, outros medicamentos podem ser associados conforme o risco cardiovascular do paciente.

As estatinas também possuem versões genéricas, o que ampliou o acesso ao tratamento. Estudos científicos acumulados desde a década de 1990 apontam redução de infarto, AVC e mortes por doenças cardiovasculares com o uso desses medicamentos em pacientes indicados.

Informações falsas sobre colesterol e estatinas divulgadas nas redes sociais podem levar à suspensão indevida do tratamento e aumentar os riscos para a saúde.

## Doença genética pode afetar crianças

A hipercolesterolemia familiar é uma condição hereditária que pode causar níveis muito altos de colesterol desde a infância. Em situações graves, a doença pode provocar obstruções nas artérias coronárias e até episódios de infarto em crianças.

O diagnóstico precoce e o início rápido do acompanhamento médico são fundamentais para aumentar a sobrevida desses pacientes.

## Obesidade e outros fatores de risco

A obesidade está frequentemente ligada à síndrome metabólica, condição associada a diabetes, hipertensão e aumento da gordura abdominal. Esse acúmulo de gordura pode provocar alterações que afetam órgãos como fígado, rins e pâncreas.

Na hipercolesterolemia familiar, porém, a obesidade geralmente não faz parte do quadro inicial e pode surgir posteriormente com a influência de hábitos de vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), infarto e AVC seguem como as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Colesterol elevado, diabetes, tabagismo e hipertensão estão entre os principais fatores de risco para essas doenças.

A obesidade ganhou relevância com o aumento de sua incidência e pode favorecer um estado inflamatório crônico, elevando a instabilidade de placas nas artérias e o risco de infarto.

Doenças inflamatórias crônicas, como lúpus, HIV, artrite reumatoide, fibromialgia e doença inflamatória intestinal, também podem contribuir para alterações nas artérias e aumento do risco cardiovascular.

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