# EUA detalham acordo de 100 anos para exploração de petróleo na Venezuela
O governo dos Estados Unidos divulgou novos detalhes sobre um acordo firmado com a Venezuela para a exploração de campos de petróleo do país sul-americano. Segundo a Casa Branca, a parceria envolve 17 campos avaliados em cerca de 65 bilhões de barris, volume equivalente a 21% das reservas comprovadas venezuelanas.
O entendimento prevê uma concessão de 100 anos à North American Blue Energy Partners (Nabep), companhia privada com sede em Barbados e atuação na Venezuela. O Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos Estados Unidos detém 35% das ações da empresa.
De acordo com o governo norte-americano, o Departamento de Estado terá o direito de adquirir, pelo custo de produção, 20% do petróleo extraído dos campos operados pela Nabep. Washington também terá preferência para comprar os 80% restantes da produção.
A Casa Branca informou ainda que poderá vetar indicações para o conselho de administração da companhia. A maior parte dos integrantes do colegiado deverá ser formada por cidadãos dos Estados Unidos, e os contratos estarão submetidos à legislação e aos tribunais norte-americanos.
O anúncio diverge de informações divulgadas anteriormente pelo governo interino venezuelano, que havia indicado prazo de 25 anos para a parceria. A presidente interina, Delcy Rodríguez, estimou investimentos de US$ 100 bilhões na recuperação da infraestrutura energética do país e arrecadação de US$ 209 bilhões em impostos durante esse período.
A expectativa do governo venezuelano é elevar a produção nacional em 1,5 milhão de barris por dia. Em julho, a Venezuela produziu 1,1 milhão de barris diários, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Entre 2005 e 2014, a produção venezuelana variava de 2,5 milhões a 3 milhões de barris por dia.
A Nabep mantém escritórios em Caracas, Maracaibo e Lechería e é comandada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt. A empresa informou ter ampliado sua produção no país de 18 mil para 200 mil barris por dia após aplicar US$ 1 bilhão em investimentos, tornando-se a segunda maior produtora de petróleo da Venezuela em dois anos.
O acordo ocorre após mudanças na Lei do Petróleo venezuelana, aprovadas menos de um mês depois da ação dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. As alterações passaram a permitir uma participação mais ampla de empresas privadas na exploração das reservas, setor antes dominado pelo Estado venezuelano.
A negociação também acontece em um cenário de redução da oferta mundial de petróleo, associada à guerra no Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz. A alta dos combustíveis nos Estados Unidos se tornou um dos temas de pressão sobre o governo Donald Trump antes das eleições legislativas de novembro.
A Casa Branca vinculou a parceria à retomada da Doutrina Monroe, política histórica dos Estados Unidos voltada à predominância de Washington no continente americano. O governo norte-americano afirmou que pretende reduzir a presença de empresas russas, chinesas e cubanas no setor energético venezuelano.
O pacto provocou reações de grupos ligados ao chavismo. Organizações de base realizaram protestos em Caracas e criticaram a participação estrangeira na exploração das reservas. Já o Partido Socialista Unido da Venezuela defendeu o entendimento como instrumento para reativar a economia do país.




