# Perda gestacional exige atenção à saúde mental e rede de apoio, alerta Febrasgo
A perda gestacional pode provocar impactos profundos na saúde mental e requer acolhimento médico, psicológico, familiar e social. O tema ganha destaque durante o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, diante da necessidade de ampliar o atendimento a mulheres que enfrentam o luto após uma gravidez interrompida.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) aponta que o sofrimento emocional associado à perda, inclusive nas primeiras semanas de gestação, ainda é frequentemente minimizado por familiares, amigos e profissionais de saúde.
Dados apresentados por especialistas indicam que entre 15% e 20% das gestações não evoluem. A perda gestacional precoce é caracterizada pela interrupção involuntária da gravidez até a 20ª semana.
Entre as reações mais comuns estão tristeza intensa, sensação de vazio, culpa, ansiedade, alterações no sono, irritabilidade e perda de interesse em atividades cotidianas. Esses sentimentos podem fazer parte do processo de luto e não representam, necessariamente, um transtorno psiquiátrico.
Além do impacto emocional, alterações hormonais após o fim da gestação também podem afetar o bem-estar psicológico. A redução desses hormônios ocorre, em geral, por cerca de 15 dias e pode intensificar a sensibilidade durante o período de luto.
Especialistas alertam, porém, para sinais que indicam a necessidade de acompanhamento profissional. Entre eles estão a persistência do sofrimento por semanas, crises de choro contínuas, dificuldade para comer ou dormir, isolamento, perda da capacidade de realizar tarefas habituais e pensamentos de que não há motivo para continuar vivendo.
Nessas situações, pode ser necessário iniciar psicoterapia e, conforme avaliação médica, tratamento medicamentoso. A recomendação é que o atendimento seja buscado antes que sintomas de depressão ou luto prolongado se agravem.
A orientação também é que médicos tenham atuação ativa no acompanhamento de pacientes após uma perda gestacional. O cuidado deve envolver esclarecimentos sobre o quadro clínico, atenção à saúde mental e estímulo à formação de uma rede de apoio com familiares e pessoas próximas.
A experiência vivida por mulheres que passaram por perdas gestacionais também tem impulsionado a criação de espaços de acolhimento na internet. Kalyane Ribeiro, de 34 anos, moradora de Campinas (SP), criou a comunidade Ainda me Sinto Mãe após enfrentar uma perda precoce aos 32 anos, depois de um ano e meio tentando engravidar.
A iniciativa reúne mulheres de diferentes idades e histórias, incluindo pessoas que viveram a perda há décadas. A comunidade deu origem ao livro *Ainda me Sinto Mãe*, com textos sobre experiências relacionadas ao luto gestacional.
## Onde buscar ajuda
Pessoas com pensamentos de tirar a própria vida devem procurar apoio imediato de familiares, amigos, educadores e profissionais de saúde.
O Ministério da Saúde recomenda conversar com alguém de confiança e buscar atendimento especializado. Entre os serviços disponíveis estão:
– Centros de Atenção Psicossocial (Caps);
– Unidades Básicas de Saúde e postos de saúde;
– UPAs, pronto-socorros e hospitais;
– Samu, pelo telefone 192;
– Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188.
O CVV oferece atendimento emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, por telefone e canais digitais.




