**Ajuste de R$ 190 bilhões põe em foco limites para cortes no orçamento federal**
Uma proposta de ajuste de cerca de R$ 190 bilhões nas contas públicas recolocou em debate o espaço para reduzir despesas federais sem atingir programas sociais, aposentadorias e outros benefícios.
Aproximadamente 90% das despesas primárias da União são obrigatórias. Nessa parcela estão gastos com Previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC), pessoal, Bolsa Família e pisos de saúde e educação. As despesas discricionárias, sobre as quais o governo tem maior margem de decisão, somam pouco mais de R$ 200 bilhões e incluem investimentos e o custeio de universidades, hospitais federais e da Polícia Federal.
A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou um plano de ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), valor estimado em R$ 190 bilhões com base no PIB de 2025. Depois de defender cortes inspirados nos adotados pelo governo de Javier Milei na Argentina, o candidato passou a afirmar que pretende preservar programas e benefícios sociais. Sua campanha aponta a redução de privilégios no funcionalismo, de despesas administrativas e de fraudes como caminhos para obter economia.
Na equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a previsão é de um ajuste gradual ao longo de um eventual quarto mandato. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, projetou uma mudança do déficit de 0,5% do PIB neste ano para um superávit de 1,5% em 2030.
As duas campanhas também divergem sobre as regras fiscais. Lula propõe manter o arcabouço aprovado no atual governo, que limita o crescimento das despesas conforme a evolução da receita. Flávio defende alterar essas regras para estabilizar e reduzir a dívida pública, gerar superávits primários e limitar o crédito subsidiado.
Os juros são outro componente relevante das contas públicas. Seu custo anual está próximo de R$ 1 trilhão, e o Brasil registrou, em setembro, a maior taxa real de juros do mundo, segundo a consultoria Moneyou.




