Câmara de Bonito planeja aumentar gastos em meio à apuração de contratos de projetos

# Câmara de Bonito prevê até R$ 2,27 milhões para ampliar sede com módulos pré-fabricados

A Câmara Municipal de Bonito, a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande, deve abrir nesta segunda-feira (9) uma licitação para ampliar sua sede com seis módulos pré-fabricados do tipo contêiner. O valor máximo previsto é de R$ 2,27 milhões: aproximadamente R$ 2,05 milhões para a obra e R$ 223 mil para mobiliário.

A contratação foi autorizada pelo presidente da Casa, Paulo Henrique Breda Santos, conhecido como professor PH (PSB). Desde 2023, o Legislativo gastou cerca de R$ 522 mil em quatro serviços de elaboração de projetos para o prédio. Os três primeiros são investigados pelo Ministério Público Estadual.

O primeiro contrato, firmado sem licitação em 2023, destinou R$ 109,4 mil a um projeto de fachada. O documento apresentava divergências sobre a empresa contratada, o valor e o serviço, além de mencionar a reforma de 19 vagas de estacionamento.

Em 2024, o mesmo arquiteto recebeu dois novos contratos, também sem licitação: R$ 36 mil por um projeto de interiores e R$ 136,5 mil por um projeto de ampliação. Segundo as informações divulgadas, o projeto de ampliação não foi entregue. A Câmara comunicou o caso ao Ministério Público e abriu um processo contra o profissional.

Já em julho, a atual gestão contratou outro arquiteto, por R$ 240 mil e sem licitação, para projetar a ampliação com módulos pré-fabricados.

Os seis módulos previstos somam 198 metros quadrados. São cinco unidades de 36 metros quadrados e uma de 18 metros quadrados, destinada a banheiros. As estruturas estão orçadas em cerca de R$ 1,4 milhão, o equivalente a aproximadamente 62% do limite da contratação.

O custo estimado se aproxima de R$ 7 mil por metro quadrado. Como referência, o custo básico da construção civil em Mato Grosso do Sul é de R$ 1.874 por metro quadrado. A comparação não é direta, pois esse indicador não inclui itens como fundações, projetos e climatização.

Um dos módulos de 36 metros quadrados, dividido em três salas, está estimado em R$ 228 mil. Em Luziânia (GO), uma estrutura modular da mesma área foi adquirida em 2025 por R$ 131,5 mil. O modelo previsto para Bonito, porém, tem especificações diferentes, entre elas pé-direito maior, portas de vidro, seis aparelhos de ar-condicionado e rede de internet.

A documentação analisada não apresenta a pesquisa de preços que fundamentaria os valores dos módulos. Enquanto outros serviços trazem referências à tabela Sinapi, as estruturas aparecem na planilha apenas como “composição”. Para o mobiliário, foi localizada uma única proposta comercial.

A planilha também usa um código referente a treliça de telhado para estimar uma escada metálica e prevê R$ 25 mil para uma fachada de alumínio sem informar sua metragem.

O Portal Nacional de Contratações Públicas reúne o edital, o aviso e a planilha. Já as 147 páginas da documentação técnica estão disponíveis apenas no site da Câmara. Não foi localizado o estudo técnico que justificaria a escolha dos contêineres e a contratação conjunta da obra e do mobiliário.

Os R$ 2,27 milhões são o valor máximo previsto para a disputa eletrônica. A proposta vencedora poderá ser inferior a esse montante.

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