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sexta-feira, junho 12, 2026

Operação da Polícia do Rio combate fraude no sistema de mandados de prisão

Policiais da 126ª DP (Cabo Frio) deflagraram, na manhã desta quinta-feira (18), a Operação Firewall contra um esquema de manipulação de dados públicos. Até o momento, duas pessoas foram presas.

A ação mira um grupo que invadia plataformas digitais da administração pública para favorecer integrantes do Comando Vermelho, principal facção criminosa do estado do Rio de Janeiro.

Mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Militar, e em Minas Gerais, em operação conjunta com a Polícia Civil mineira.

A investigação teve início em julho, após a identificação de oferta de retirada de mandados de prisão do sistema do Tribunal de Justiça por R$ 3 mil, serviço direcionado a membros da facção. As apurações indicam que os criminosos acessavam o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) por meio de VPN usando senhas dos servidores da Justiça.

Como não era possível apagar os mandados, os invasores alteravam dados que permitiam a localização das ordens judiciais. Assim, quando policiais consultavam o sistema pelo nome correto, o mandado não era localizado, dando a falsa impressão de inexistência.

As investigações também apontam que os suspeitos coagiam os contratantes, ameaçando emitir novas ordens de prisão caso não recebessem o pagamento.

Os agentes mapearam inicialmente os anunciantes nas redes sociais e depois seguiram o fluxo financeiro. As apurações indicaram que uma mulher cedia sua conta bancária para movimentação dos valores, o que permitiu rastrear transações até criminosos em Minas Gerais.

Foi identificado o líder do esquema, ex-funcionário de empresas de certificados digitais, que teria conseguido apagar um mandado da Justiça Federal do Rio de Janeiro e oferecido o serviço a terceiros. Esse homem já havia sido preso em setembro pela 36ª DP (Santa Cruz), por violação de segredo profissional, associação criminosa e estelionato.

As diligências apontam que, enquanto trabalhava em empresa de certificados digitais, o suspeito teria burlado autenticação em duas etapas, decodificado certificados digitais, manipulado dados cadastrais de magistrados e promovido emissão fraudulenta de alvarás judiciais.

Até o momento, não há indícios de participação de servidores públicos no esquema. As autoridades consideram que os profissionais afetados foram vítimas de roubo de login e senha.

Como medida preventiva, autoridades orientam que titulares de certificados digitais verifiquem, no portal Gov.BR ao acessar com sua conta, os certificados emitidos para o CPF. A presença de certificado não solicitado pode indicar clonagem ou uso indevido.

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