A Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural, Pesquisa Agropecuária e Regularização Fundiária (Asbraer) avançou nas negociações para firmar parceria com o Fundo de Investimento ADIG, de Abu Dhabi, e com o Programa Terra Viva. O foco é a recuperação de pastagens degradadas no Brasil e o reforço da segurança alimentar nos Emirados Árabes Unidos.
Na tarde de terça-feira (27) houve reunião online para esclarecimentos e alinhamento dos próximos passos. Participaram a diretoria da Asbraer, o diretor internacional do Programa Terra Viva e representantes de nove instituições estaduais: Ruraltins (Tocantins); Empaer (Paraíba e Mato Grosso); Agraer (Mato Grosso do Sul); Emateres (Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais); Bahiater (Bahia) e Cati (São Paulo). Exceto por Cati, as demais instituições são associadas à Asbraer.
Esses nove estados atuarão inicialmente como pilotos para testar e aperfeiçoar a metodologia, com posterior expansão prevista para todas as unidades da federação.
O modelo prevê financiamento dos Emirados Árabes para a recuperação de áreas degradadas no Brasil, com objetivo de fortalecer a produção de alimentos que poderá contribuir para o abastecimento no país financiador. Todo o aporte financeiro estará condicionado a critérios ambientais: a regeneração das áreas será requisito obrigatório para aprovação dos projetos.
O programa inclui linhas de crédito de baixo custo e sem exigência de garantia real. A produção prevista e o acompanhamento técnico contínuo das instituições públicas de assistência técnica e extensão rural (Ater) servirão como garantia das operações, com estrutura voltada a ampliar o acesso ao crédito por parte dos produtores.
O financiamento abrangerá diferentes tipos de alimentos, com prioridade inicial para commodities tradicionais, como soja, milho e arroz. O Programa Terra Viva também prevê logística própria para o transporte das commodities, integrando a cadeia produtiva desde a produção até a entrega.
A proposta prevê atuação conjunta nos estados, com as Emateres responsáveis pela operacionalização. Os investimentos serão direcionados a essas instituições, contemplando infraestrutura e pessoal, e os valores deverão variar conforme a realidade e as necessidades de cada estado.
As tratativas com o fundo árabe começaram durante a 68ª Assembleia Geral Ordinária da Asbraer, realizada em novembro, no Rio de Janeiro, quando o representante do fundo apresentou a proposta de financiamento voltada ao agronegócio.




