O governo brasileiro busca reduzir o tempo de voo entre o Brasil e Dacar, capital do Senegal, na costa oeste da África. A medida visa facilitar o comércio e o turismo entre os dois países e com outras nações da região.
Atualmente não existem voos diretos regulares entre Brasil e Senegal. Rotas comerciais costumam passar por hubs europeus ou por cidades africanas distantes da América do Sul; em alguns casos a conexão é feita por Dubai, o que aumenta significativamente o tempo de viagem.
A distância em linha reta entre Natal (Rio Grande do Norte) e o Senegal é de aproximadamente 2,9 mil quilômetros. A viagem até Lisboa é quase o dobro dessa distância e até Dubai chega a ser quase quatro vezes maior.
Representantes brasileiros e senegaleses participaram do Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África, realizado nos dias 20 e 21 de abril. No evento, houve encontros entre a embaixada do Brasil, o ministro das Infraestruturas e dos Transportes de Senegal e a direção da companhia aérea estatal Air Senegal para tratar de conectividade aérea.
Entre as opções discutidas estão acordos comerciais entre empresas aéreas, inclusive operações de codeshare, e parcerias com companhias de outras regiões, como Marrocos, Etiópia e Turquia, com o objetivo de ampliar as ligações e reduzir custos e tempos de deslocamento.
Os laços diplomáticos entre Brasil e Senegal remontam aos anos de independência senegalesa: a embaixada brasileira em Dacar foi inaugurada em 1961, com reciprocidade em 1963. A Ilha de Gorée, no Senegal, é referência histórica do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A representação senegalesa em Brasília é a única missão diplomática do país africano na América do Sul.
No campo econômico, o comércio bilateral alcançou US$ 386,1 milhões em 2025, com superávit brasileiro de US$ 370,8 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Setores apontados como com potencial de exportação senegalesa incluem amendoim, derivados de flores de nenúfar, tecidos e artesanato.
Em 2025, uma missão oficial levou 50 empresários brasileiros ao Senegal para explorar oportunidades de negócios. Em outubro do mesmo ano foi anunciada a criação da primeira indústria de genética agrícola no país africano, projeto liderado pela empresa brasileira West Aves em parceria com companhias locais. O empreendimento prevê produção anual de 30 milhões de ovos e 400 mil aves reprodutoras, investimento inicial de US$ 20 milhões, cerca de 300 empregos diretos e 1.000 indiretos, e transferência de tecnologia ao Senegal. Estimativas associadas ao projeto indicam possibilidade de maior autossuficiência na produção de aves e redução de custos ao consumidor.
Além de iniciativas na agropecuária, há negociações em andamento para transferências de tecnologia nos campos da merenda escolar e da defesa.
No plano multilateral, Brasil e Senegal têm posições convergentes em temas como defesa do multilateralismo e de reformas em organismos internacionais, entre elas propostas de mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Senegal presidirá a Comissão da CEDEAO no período 2026–2030 e integra a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), grupo do qual o Brasil assumiu a liderança em evento no Rio de Janeiro há cerca de duas semanas.
O Fórum de Dacar recebeu representantes de 38 países, incluindo 18 nações africanas. Reportagem deslocou-se ao Senegal a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Estrangeiro.




