Uma família luso-libanesa foi morta em um bombardeio em Burj Qalowayh, distrito de Bint Jbeil, no Sul do Líbano. A casa onde estavam ficou totalmente destruída e, até o momento, os corpos não foram localizados entre os escombros.
As vítimas foram identificadas como a brasileira Manal Jaafar, 47 anos; o filho Ali Ghassan Nader, 11; e o pai do garoto, o libanês Ghassan Nader, 57. Eles haviam deixado a residência no início da atual fase do conflito, em 2 de março, e buscado refúgio em Beirute. Com o cessar-fogo anunciado em 16 de abril, a família voltou ao Sul do Líbano para buscar pertences e roupas, retornando à região no sábado, 25 de abril. O ataque ocorreu no domingo, 26 de abril.
Outro filho do casal, Kassam Nader, 21 anos, estudante de computação no Líbano, ficou ferido no mesmo ataque e recebeu alta hospitalar em 28 de abril. O casal ainda tinha dois filhos adultos, de 28 e 26 anos, que vivem e trabalham no exterior.
A família viveu no Brasil entre 1995 e 2008, período em que Manal adquiriu a nacionalidade brasileira. Ghassan não chegou a obter a nacionalidade brasileira. Na volta ao Líbano, ocuparam a residência em Burj Qalowayh até o novo deslocamento motivado pelo conflito.
A reportagem procurou a Embaixada de Israel em Brasília para posicionamento sobre o bombardeio, sem retorno até a publicação.
Contexto e repercussão
O Líbano concentra a maior comunidade de brasileiros no Oriente Médio: cerca de 22 mil pessoas viviam no país em 2023, segundo o Ministério das Relações Exteriores. O governo brasileiro manifestou condenação aos ataques ocorridos durante o período de cessar-fogo.
Desde outubro de 2023, quando houve a intensificação das hostilidades entre Israel e o Hezbollah, a região registra ciclos de ataques e tréguas fragilizadas. Em novembro de 2024 foi fechado um acordo de cessar-fogo, mas relatos indicaram novas violações. Em 2 de março, houve nova escalada de confrontos entre as partes, e, em abril, apesar de tentativas de negociação envolvendo outros atores regionais, ataques seguiram sendo registrados no Líbano.
A Casa Branca afirmou que Israel poderia agir contra o Hezbollah em legítima defesa, caso existam ataques planejados, iminentes ou em curso. Por sua vez, autoridades israelenses vinham defendendo a ocupação do Sul do Líbano até o Rio Litani, cerca de 30 km da fronteira atual, e a criação de uma zona de segurança na região. A destruição de infraestrutura e o deslocamento forçado de civis na área têm sido apontados por observadores como elementos críticos das operações militares.
No último dia anterior ao cessar-fogo, foi relatado o bombardeio da Ponte de Qasmiyeh, sobre o Rio Litani, a única ponte remanescente que ligava o Sul do Líbano ao resto do país, o que isolou a região e interrompeu a ligação entre as cidades de Tiro e Sidon.




