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quarta-feira, abril 29, 2026

No Dia da Dança, projeto revive memória das bailarinas dos antigos cassinos de Pernambuco

No Dia Internacional da Dança, 29 de abril, foi lançado um projeto pernambucano que recupera a trajetória de mulheres que atuaram nos cassinos do estado entre as décadas de 1930 e 1950.

Intitulado Bailarinas em Suspeição: Mulher, Dança e Trabalho nos Cassinos Pernambucanos, o trabalho foi divulgado em 29 de abril e reúne investigação acadêmica e produção audiovisual.

A iniciativa é liderada pela artista, pesquisadora e videomaker Marcela Rabelo. Entre as produções resultantes estão um artigo científico e uma videodança publicada em plataforma de vídeo online. Também foi criada uma página na internet que funciona como acervo digital, reunindo o artigo, a videodança, materiais consultados na pesquisa e documentos históricos.

A investigação apoiou-se em amplo levantamento documental. Foram sistematicamente analisados jornais, revistas e, em especial, fichas e prontuários do antigo DOPS — Departamento de Ordem Política e Social, órgão de polícia ativo entre o Estado Novo e a Ditadura Militar.

Parte do material consultado veio do projeto Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos (2016), da pesquisadora e jornalista Clarice Hoffmann. Hoffmann integra a equipe do novo projeto ao lado da professora e antropóloga Selma Albernaz.

Ao todo, cerca de 90 mulheres, brasileiras e estrangeiras, foram mapeadas. As trajetórias identificadas combinam intensa produção artística com vigilância policial e estigmatização social.

Os documentos da época registram variadas categorias profissionais — como bailarina clássica, de salão, vedete, fantasista, sambista, rumbeira, sapateadora, acrobata e integrantes de coros — e mostram que essas classificações frequentemente vinham acompanhadas por discurso moralizante e escrutínio que se estendia além dos palcos.

As fichas do DOPS evidenciam um olhar de suspeição sobre as artistas, baseado em critérios como nacionalidade, tipo de dança, estado civil, raça e circulação entre cidades e países. O projeto propõe, assim, uma releitura crítica das condições de trabalho e das narrativas construídas em torno dessas mulheres.

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