No porto de Dacar, capital do Senegal, visitantes formam filas para embarcar nas balsas que fazem a travessia de menos de meia hora até a Ilha de Gorée, situada a cerca de 3 quilômetros da costa. A pequena ilha, com 17 hectares — menos de 25 campos de futebol — é o destino turístico mais procurado do país e foi inscrita na lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 1978.
Gorée abriga importantes vestígios da história do tráfico transatlântico de escravizados. Durante os séculos 15 ao 19, colonizadores europeus utilizaram a ilha como entreposto para o embarque forçado de africanos rumo às Américas. A Casa dos Escravos, construção de dois andares na ilha, funcionava como local de detenção antes da passagem pela chamada “Porta do Não Retorno” e hoje é o principal ponto de memória do período.
Segundo o censo de 2023 da Agência Nacional de Estatística e Demografia do Senegal (ANSD), a ilha conta com cerca de 1,7 mil moradores. O fluxo anual de dezenas de milhares de turistas tornou o turismo a principal fonte de renda local, complementando a pesca e dando sustentação a uma cadeia de comércio de artesanato, guias e serviços.
Próximo ao cais, comerciantes oferecem bijuterias, esculturas em madeira e outros produtos tradicionais. Muitas bancas e lojas são de gestão familiar e preservam técnicas artesanais locais. Há também ateliês que produzem quadros feitos a partir de uma mistura de cola e serragem colorida, técnica empregada para retratar paisagens e cenas da cultura africana.
A hospitalidade é um traço valorizado entre os senegaleses e é representada pela palavra wolof “teranga”, presente inclusive no apelido da seleção nacional de futebol, conhecida como “Leões de Teranga”. No vocabulário do turismo em Gorée, guias incluíram a história de visitantes ilustres: há no local um monumento em homenagem a Nelson Mandela e registros de sua passagem pela ilha.
Além do patrimônio histórico, Gorée atua como espaço educativo. Escolas de Dacar organizam excursões que transformam a ilha em sala de aula ao ar livre, com grupos de estudantes percorrendo os locais de memória durante o dia.
A reportagem foi realizada a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Exterior.




