A fragmentação de áreas naturais quase triplicou no Brasil ao longo das últimas quatro décadas, ampliando a pressão sobre espécies vegetais e animais. Os dados são de um levantamento inédito do MapBiomas divulgado nesta quarta-feira.
O fenômeno ocorre quando o desmatamento divide a vegetação nativa em pedaços menores e isolados. A expansão agropecuária, a urbanização e a abertura de estradas estão entre os principais fatores associados ao processo. Na prática, a paisagem passa a ser formada por pequenas ilhas de vegetação cercadas por lavouras, cidades e infraestrutura.
Em 1986, o país tinha 2,7 milhões desses fragmentos. Em 2023, o total chegou a 7,1 milhões. Além de mais numerosos, os trechos também ficaram menores, o que aumenta a vulnerabilidade das áreas à degradação e à perda de biodiversidade.
Entre as consequências estão maior exposição às bordas dos fragmentos, facilidade de avanço do fogo, impacto de agrotóxicos e isolamento entre áreas nativas. Isso dificulta a circulação de espécies e a troca genética, elevando o risco de extinções locais.
Pantanal e Amazônia registraram os maiores aumentos na fragmentação no período analisado. Já Cerrado e Mata Atlântica continuam entre os biomas mais fragmentados do país. No caso da Mata Atlântica, parte dos fragmentos identificados corresponde a vegetação em regeneração, segundo o estudo.
A recuperação dessas áreas depende, segundo o levantamento, de duas frentes principais: políticas públicas mais eficazes para conter o desmatamento e ações de restauração ecológica, incluindo a criação de corredores verdes para reconectar os trechos isolados.




