Até a noite de quarta-feira (13), 112 vistorias haviam sido feitas em imóveis do Jaguaré, na zona oeste da capital paulista, no trecho atingido pela explosão registrada na última segunda-feira (11). Segundo o balanço divulgado, 86 unidades foram liberadas para os moradores e 27 seguem interditadas por apresentarem danos mais graves.
As avaliações técnicas foram conduzidas pela Defesa Civil do Estado de São Paulo e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), com apoio de equipes da Sabesp e da Comgás. Uma nova comissão deve revisar nesta quinta-feira (14) as condições estruturais dos imóveis ainda bloqueados.
Sabesp e Comgás informaram que 232 pessoas já foram cadastradas para receber o auxílio emergencial de R$ 5 mil destinado a despesas imediatas. As famílias também estão sendo alojadas em hotéis. As concessionárias afirmam que os demais prejuízos, incluindo a reconstrução das casas, serão indenizados.
As equipes das empresas começaram a atuar nas residências já liberadas pela perícia técnica. Paralelamente, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) notificou formalmente Sabesp e Comgás para que apresentem os primeiros esclarecimentos sobre a explosão. O prazo para envio das informações termina nesta sexta-feira (15).
O governo paulista informou que a documentação será analisada no âmbito do processo de fiscalização aberto para apurar as causas do incidente e poderá embasar outras medidas previstas nos contratos.
Também nesta quinta-feira, foi criada a Gerência de Apoio do Jaguaré, estrutura que ficará responsável por coordenar e acompanhar as ações emergenciais de atendimento às vítimas e de recuperação da área.
Na quarta-feira (13), o governador Tarcísio de Freitas esteve no local da ocorrência. O episódio reacendeu o debate sobre a privatização da Sabesp, concluída em 23 de julho de 2024, após longo processo de discussão política e judicial.
Entidades ligadas aos engenheiros e aos trabalhadores do setor de saneamento voltaram a criticar a redução de equipes técnicas e apontaram riscos à segurança operacional. O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) já havia alertado, ainda durante o processo de venda, para a possibilidade de aumento de acidentes com a diminuição das equipes de manutenção e resposta rápida.
No Supremo Tribunal Federal (STF), a privatização da Sabesp começou a ser julgada em março deste ano. O processo foi suspenso após pedido de destaque, e segue sem conclusão. A ação foi apresentada pelo PT para tentar reverter a desestatização.




