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terça-feira, maio 19, 2026

UFJF e UFMG pedem desculpas por uso de cadáveres em aulas durante discussão sobre luta antimanicomial

Duas universidades federais pediram desculpas publicamente após a revelação de que corpos de pessoas internadas em hospitais psiquiátricos foram usados em aulas de anatomia ao longo do século 20. A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou uma nota nesta segunda-feira (18), em linha com o posicionamento já adotado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no mês passado.

Na manifestação, a UFJF reconhece a participação da instituição em um período marcado pela violação de direitos e pela desumanização de pessoas consideradas fora dos padrões sociais da época. O texto relaciona esse processo à associação da doença mental com incapacidade e perigo, além de apontar a influência de fatores como gênero, classe social, orientação sexual e raça na exclusão dessas pessoas.

A universidade cita o Hospital Colônia de Barbacena como símbolo desse cenário de violência e abandono. Segundo os registros mencionados no comunicado, mais de 60 mil pessoas teriam morrido no local ao longo do século 20. Parte dos corpos de internos foi destinada a escolas da área da saúde para aulas de anatomia, de acordo com informações reunidas no livro *Holocausto Brasileiro*, da jornalista Daniela Arbex.

No caso da UFJF, o Instituto de Ciências Biológicas recebeu 169 corpos entre 1962 e 1971 para uso em aulas de anatomia humana. Como medida de reparação simbólica, a instituição informou que pretende manter ações educativas sobre direitos humanos e saúde mental, além de buscar apoio para a criação de um memorial e realizar pesquisas documentais sobre sua relação com o Hospital de Barbacena.

A UFJF também afirmou que, desde 2010, o Departamento de Anatomia do ICB passou a adotar exclusivamente o programa de doação voluntária de corpos, com ações de conscientização voltadas a estudantes e à sociedade.

A UFMG divulgou conteúdo semelhante ao reconhecer sua ligação histórica com o mesmo hospital psiquiátrico. A universidade declarou que vai ampliar iniciativas de memória em parceria com grupos da luta antimanicomial, restaurar um livro histórico de registro de cadáveres e incluir o tema em disciplinas da Faculdade de Medicina.

Os dois casos reforçam a dimensão do uso de corpos de internos em instituições de ensino médico no país. A UFMG informou ainda que mantém, desde 1999, um programa de doação voluntária de corpos para estudo anatômico, em conformidade com normas legais e éticas.

O tema também é abordado em obras literárias e em iniciativas culturais e científicas dedicadas à saúde mental, com destaque para o conto *O Alienista*, de Machado de Assis, e para o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira, referência no tratamento humanizado de transtornos mentais.

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