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quinta-feira, maio 21, 2026

Pessoas com diabetes no Brasil defendem o uso de tecnologias no tratamento

Sete em cada dez brasileiros com diabetes afirmam que a doença afeta de forma importante o bem-estar emocional. A pesquisa também aponta que 78% relatam ansiedade ou preocupação com o futuro, enquanto dois em cada cinco dizem se sentir sós ou isolados por causa da condição.

Os dados fazem parte de levantamento do Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, que investigou percepções sobre o diabetes, a rotina com a doença e os instrumentos usados no controle.

O estudo foi realizado em setembro de 2025, com 4.326 pessoas com diabetes, com 16 anos ou mais, em 22 países. Do total, 20% eram brasileiros. Além do Brasil, participaram entrevistados da Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Alemanha, Hong Kong, Índia, Japão, Kuwait, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia, Arábia Saudita, África do Sul, Espanha, Turquia e Reino Unido.

Entre pessoas com diabetes tipo 1, 77% disseram sentir impacto relevante no bem-estar emocional.

O diabetes ocorre quando o organismo produz pouca insulina ou não a absorve adequadamente. O hormônio é responsável por regular a glicose no sangue e garantir energia ao corpo. Quando não controlada, a doença pode provocar complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos, além de risco de morte em casos mais graves.

Já o diabetes tipo 1 é uma doença crônica, não transmissível e hereditária, marcada pela destruição das células do pâncreas que produzem insulina. Isso leva à deficiência do hormônio no organismo.

O Brasil ocupa a sexta posição mundial em número de casos, segundo o Atlas Global do Diabetes 2025, da Federação Internacional de Diabetes (IDF). O país tem 16,6 milhões de adultos diagnosticados.

A pesquisa mostra ainda que 56% dos entrevistados no Brasil dizem que o diabetes limita a capacidade de passar o dia fora de casa. Outros 46% relatam dificuldades em situações comuns, como trânsito ou reuniões longas. Já 55% afirmam não acordar completamente descansados por causa das variações da glicose durante a noite.

Apesar dos avanços no cuidado, a maioria dos pacientes diz não se sentir plenamente atendida pelo modelo atual. Apenas 35% afirmam ter muita confiança no controle da própria doença, o que indica dificuldades de previsibilidade e manejo.

Para 44% dos entrevistados, tecnologias capazes de prever mudanças nos níveis de glicose deveriam ser tratadas como prioridade para prevenir complicações. Entre os que usam glicosímetros ou testes de ponta de dedo, 46% defendem a adoção de sensores de monitoramento contínuo de glicose, por permitirem alertas antecipados.

A previsibilidade aparece como principal demanda entre os recursos com inteligência artificial. Para 53% dos entrevistados, o ponto mais importante é a capacidade de antecipar os níveis futuros de glicose. Entre pacientes com diabetes tipo 1, esse índice sobe para 68%.

Segundo o levantamento, saber com antecedência as tendências da glicose daria a 56% dos brasileiros a sensação de maior controle sobre a doença. Outros 48% dizem que a redução de surpresas com picos e quedas inesperadas melhoraria a qualidade de vida. Entre os pacientes com diabetes tipo 1, 95% consideram fundamentais ferramentas capazes de prever hipoglicemia e hiperglicemia.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, André Vianna, avalia que o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo são essenciais para evitar complicações. Ele defende o uso de sensores de monitoramento contínuo, especialmente no diabetes tipo 1, em razão da oscilação mais intensa da glicose.

Vianna afirma que esse tipo de tecnologia pode reduzir internações, idas ao pronto-socorro e custos para o sistema de saúde. Segundo ele, o monitoramento contínuo já está consolidado em diversos países.

No Brasil, esses aparelhos estão mais presentes entre pessoas de maior renda. No Sistema Único de Saúde (SUS), porém, não houve adoção em larga escala. Atualmente, quatro empresas comercializam esses dispositivos no país.

Em países de alta renda, o acesso é mais amplo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cobertura ocorre por meio de operadoras privadas. Já na França e no Reino Unido, os dispositivos são oferecidos gratuitamente pelos sistemas públicos de saúde.

Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao SUS o monitoramento contínuo da glicose por escaneamento intermitente para pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2. A decisão foi publicada em portaria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

No fim de 2024, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que obriga o SUS a fornecer gratuitamente dispositivos de monitoramento por escaneamento intermitente. A proposta ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa passar pela Câmara e pelo Senado.

Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou sobre o tema.

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