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segunda-feira, maio 25, 2026

Pesquisa usa células-tronco para reduzir complicações do transplante de medula óssea

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desenvolvem uma terapia avançada que apresentou resultados promissores no controle da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), complicação grave que pode surgir após o transplante de medula óssea e, em casos extremos, levar à morte.

A DECH ocorre quando células imunológicas da medula doada reconhecem o organismo do receptor como estranho e passam a atacá-lo. O problema pode aparecer nos primeiros 100 dias após o transplante, na forma aguda, ou se manifestar anos depois, como doença crônica.

Nos casos agudos, os principais alvos são a pele e o sistema gastrointestinal. Os sintomas incluem vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas e alteração no funcionamento do fígado. Já a forma crônica pode atingir diferentes partes do corpo e, quando grave, provocar rigidez nos movimentos, dificuldade para respirar e úlceras.

O tratamento mais usado é baseado em corticosteroides, que reduzem a inflamação. Parte dos pacientes, no entanto, não responde bem a esses medicamentos e precisa recorrer a fármacos mais fortes ou a imunossupressores.

A alternativa em desenvolvimento, chamada MesenCell, é uma terapia com células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores. O material é processado em laboratório e congelado até o momento de uso. A proposta é atuar na origem da doença, modulando a resposta imunológica e reduzindo a proliferação das células envolvidas no ataque ao organismo do paciente.

A tecnologia é desenvolvida pela primeira vez no Brasil e deve ser indicada, inicialmente, para pessoas que não melhoram com os tratamentos convencionais ou que não podem usá-los por causa da toxicidade. A limitação de acesso a alguns medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) também pesa na busca por alternativas.

Antes da nova etapa, o grupo realizou um estudo-piloto com 11 pacientes com DECH crônica, usando as mesmas células-tronco em combinação com outra substância. Agora, os pesquisadores preparam um ensaio clínico com 20 participantes, com uma formulação considerada mais viável.

No estudo-piloto, metade dos pacientes teve remissão completa. O tratamento também reduziu em 75% os comprometimentos gastrointestinais e eliminou totalmente os sintomas de pele, inclusive nos casos mais graves.

A nova fase de testes começa em setembro e será conduzida em três centros de referência do Paraná: Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Hospital Erasto Gaertner e Hospital Nossa Senhora das Graças.

A pesquisa conta com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Depois dessa etapa, o grupo pretende buscar parceria com uma indústria farmacêutica para viabilizar a produção do medicamento em escala maior.

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