A perícia em acidentes de trânsito utiliza marcas de pneus, danos nos veículos, fragmentos, fluidos, condições da pista e a posição final dos envolvidos para reconstruir a dinâmica da ocorrência. Em casos mais graves, esses elementos são analisados pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul para embasar investigações com prova técnico-científica.
No contexto do Maio Amarelo, campanha de conscientização sobre segurança viária, o trabalho pericial ganha destaque ao mostrar que a prevenção também depende da compreensão das causas dos acidentes. A análise pode envolver fatores ligados ao condutor, ao veículo, à via ou à combinação entre eles.
A atuação da perícia costuma ser solicitada em ocorrências com mortes, feridos graves, suspeita de crime de trânsito ou necessidade de esclarecimento para processos judiciais. No local, os peritos verificam as condições de segurança, avaliam a preservação da área e iniciam registros fotográficos e métricos.
Entre os principais vestígios observados estão marcas de frenagem ou derrapagem, ponto provável de colisão, deformações nos automóveis, fragmentos espalhados pela pista e posição de repouso dos veículos. Com base nesses dados, os especialistas aplicam conceitos de física e engenharia para estimar velocidade, trajetória, direção das forças e sequência dos impactos.
A análise também considera o estado da via, como sinalização, iluminação, visibilidade, chuva, neblina, buracos, ondulações e características geométricas da pista. Em alguns casos, a perícia identifica falhas mecânicas, perda de aderência, limitações de visibilidade ou problemas em sistemas de segurança.
A preservação do local é decisiva para a qualidade do laudo. A remoção dos veículos antes da chegada da equipe, a retirada de detritos ou a limpeza da pista podem comprometer informações importantes e dificultar a reconstrução do acidente.
Depois do exame da cena, outros procedimentos podem complementar a investigação. Em mortes, a necropsia realizada no Instituto de Medicina e Odontologia Legal pode ajudar a determinar se o óbito foi consequência direta do impacto ou de outro evento anterior, como mal súbito.
Quando necessário, os veículos envolvidos também passam por exames específicos. Componentes como freios, direção, cintos de segurança e airbags podem ser avaliados para verificar seu funcionamento e eventual relação com o desfecho da ocorrência.
Ferramentas como drones, scanners a laser e programas de simulação em 3D ampliaram a precisão dos registros e das análises. Esses recursos ajudam a documentar o local com mais detalhes, reduzir o tempo de bloqueio das vias e apresentar a sequência dos fatos de forma mais clara nos laudos.
Além de esclarecer casos específicos, os levantamentos periciais também podem indicar padrões em determinados trechos, como repetição de acidentes, falhas de sinalização ou problemas estruturais. Com isso, a atuação da Polícia Científica contribui não apenas para a apuração dos fatos, mas também para a prevenção de novos episódios no trânsito.




