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terça-feira, maio 26, 2026

Líder iraniano pede união de países islâmicos contra EUA e Israel

O líder supremo do Irã, Sayyid Mojtaba Khamenei, fez um apelo aos países islâmicos para que se aproximem de Teerã na construção de uma nova ordem regional, sem presença militar dos Estados Unidos e sem Israel. A mensagem foi divulgada nesta terça-feira (26), durante o período da peregrinação anual a Meca, na Arábia Saudita.

A carta foi endereçada aos muçulmanos em meio ao Hajj, rito obrigatório para adultos que tenham condições físicas e financeiras de realizá-lo. O evento reúne mais de 1,5 milhão de pessoas todos os anos.

Na manifestação, o líder iraniano defendeu cooperação entre os países islâmicos e disse que a região pode ser reorganizada com base em interesses comuns. Também pediu que peregrinos iranianos levem a outros muçulmanos a versão de Teerã sobre a guerra envolvendo Israel e os Estados Unidos.

Khamenei afirmou ainda que a presença militar norte-americana no Oriente Médio está em declínio e que os países da região não voltarão a abrigar bases dos EUA como antes.

Sobre Israel, o líder iraniano reforçou a posição histórica de Teerã contra a existência do Estado israelense. Ele voltou a sustentar que o país estaria perto do fim e retomou a previsão atribuída ao antecessor de que Israel não existiria dentro de 25 anos.

O Irã mantém a defesa de um Estado único para israelenses e palestinos, com retorno da população palestina deslocada, rejeitando a solução de dois Estados, apoiada por boa parte da comunidade internacional. Israel, por sua vez, rejeita a criação de um Estado palestino independente.

Na carta, Khamenei também destacou o chamado Eixo da Resistência, rede de grupos e aliados contrários à influência de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio. Segundo ele, essa articulação tem papel central na defesa da comunidade islâmica e na oposição a inimigos na região.

O dirigente iraniano elogiou ainda a Revolução Islâmica de 1979 e afirmou que o país resistiu por décadas a sanções econômicas e a pressões políticas. O embargo imposto ao Irã ao longo dos anos tem impactado a economia e as condições sociais do país.

No sistema político iraniano, o líder supremo ocupa o posto mais alto do Estado e comanda as Forças Armadas. Ele é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, formada por 88 clérigos eleitos por voto popular. Embora o cargo seja vitalício, a Constituição permite a destituição do ocupante.

Khamenei assumiu a função após a morte de Ali Khamenei, que permaneceu no posto por 36 anos. No Irã, o cargo está acima dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de supervisionar o Conselho dos Guardiões, responsável por verificar se as leis aprovadas pelo Parlamento seguem os princípios da República Islâmica.

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