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quarta-feira, junho 3, 2026

Cuba responde aos EUA: empresas cubanas foram construídas apesar do bloqueio

O governo de Cuba rejeitou as acusações feitas pelos Estados Unidos de que dirigentes da ilha usam empresas estatais para enriquecimento pessoal. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, Havana afirmou que o Grupo de Administração de Empresas, conhecido como Gaesa, foi criado para responder à pressão econômica imposta por Washington ao país.

Segundo o texto oficial, a estrutura reúne companhias capazes de gerar divisas e recursos para o Estado, com a finalidade de sustentar políticas sociais e financiar setores considerados estratégicos. O governo cubano também destacou obras atribuídas ao grupo, como a construção de mais de 10 mil moradias, investimentos em educação infantil, a termelétrica de Holguín, projetos hidráulicos e sistemas de transposição de água.

As autoridades em Havana afirmam ainda que a Gaesa teve papel importante para manter a economia funcionando durante a pandemia de Covid-19. O comunicado diz que o conglomerado não atua de forma paralela ao Estado, mas como parte da resposta do país ao bloqueio econômico mantido pelos EUA há décadas.

No mesmo posicionamento, o governo cubano acusou Washington de tentar desacreditar instituições nacionais e dificultar relações com parceiros estrangeiros que fazem negócios com empresas ligadas ao grupo. Para Havana, a ofensiva norte-americana faz parte de uma estratégia mais ampla de isolamento diplomático, comercial, financeiro e energético da ilha.

A tensão entre os dois países aumentou sob o governo Donald Trump, que intensificou sanções e restringiu o acesso de Cuba ao petróleo. No início de maio, após uma nova ordem executiva da Casa Branca, a canadense Sherritt International encerrou suas operações no país em parceria com a Gaesa, em uma joint venture de mineração de níquel.

O bloqueio também tem agravado a crise interna em Cuba. O país passou três meses sem receber petróleo, o que ampliou os apagões, pressionou os preços de produtos básicos, reduziu o transporte público e afetou a distribuição da cesta básica subsidiada pelo Estado. Moradores de Havana ouvidos pela Agência Brasil afirmaram que este é o pior momento vivido pelo país.

A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante da Universidade Federal de Uberlândia, avalia que as acusações dos Estados Unidos contra a Gaesa fazem parte de uma tentativa de enfraquecer o governo cubano.

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