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quinta-feira, junho 4, 2026

México acusa setores dos Estados Unidos de interferência em assuntos internos

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, acusou setores do governo dos Estados Unidos de tentar interferir nos assuntos internos do país por meio de campanhas de desinformação e influência política. Segundo ela, essas ações poderiam ter relação com as eleições mexicanas de 2027, quando serão renovados a Câmara e os governos estaduais.

As declarações foram feitas no discurso que marcou os dois anos de seu mandato. Na ocasião, Sheinbaum afirmou que o combate ao crime organizado é uma responsabilidade compartilhada entre os países, mas que essa cooperação não pode servir de pretexto para enfraquecer princípios como a não intervenção e o respeito à autodeterminação.

A presidente também comentou as ameaças feitas anteriormente por autoridades norte-americanas. Em janeiro, Donald Trump cogitou uma ação terrestre contra o México sob a justificativa de combater cartéis de drogas. Em março, o secretário de Estado Marco Rúbio disse que os Estados Unidos poderiam agir sozinhos na América Latina, se necessário, com o mesmo argumento.

Nesta segunda-feira (1º), Sheinbaum afirmou não acreditar que Trump esteja por trás das ingerências, mas sim setores específicos da Casa Branca, em articulação com grupos conservadores mexicanos.

Ela também mencionou a morte de dois agentes da CIA em um acidente de carro no estado de Chihuahua. Os agentes não tinham autorização para atuar em território mexicano. Para a presidente, nenhum agente estrangeiro pode exercer funções que cabem exclusivamente às autoridades do país.

Outro ponto citado por Sheinbaum foi um pedido do Departamento de Justiça dos EUA para extraditar dez mexicanos, sem apresentação de provas, sob suspeita de ligação com o narcotráfico. Entre os nomes estariam um governador, um prefeito e um senador. A presidente classificou o episódio como inédito na relação bilateral.

Sheinbaum questionou ainda se o interesse de Washington seria realmente cooperar com o México ou se haveria uma tentativa de interferência política, inclusive com reflexos sobre as eleições mexicanas de 2027.

Ao defender a posição do governo, ela afirmou que o México segue comprometido no combate à corrupção e ao narcotráfico e citou uma redução de 49% nos homicídios dolosos em 20 meses de gestão. Mesmo assim, reiterou que cooperação internacional não pode significar subordinação.

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