A artista franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (3) pela agência France-Presse (AFP) e confirmadas por pessoas próximas e autoridades francesas.
Nascida em 1969, na cidade de Rasht, no Irã, Satrapi ganhou projeção internacional com o romance gráfico autobiográfico **Persépolis**, que escreveu e ilustrou. Publicada na França em 2000, a obra narra sua juventude em Teerã durante a revolução de 1979, que derrubou a monarquia iraniana e instaurou uma república islâmica teocrática.
Além de **Persépolis**, a autora publicou outros livros em quadrinhos de destaque, entre eles **Bordados**, **Frango com Ameixas** e **Mulher, Vida, Liberdade**, todos lançados no Brasil.
Em 2007, ela codirigiu a adaptação cinematográfica de **Persépolis**, ao lado de Vincent Paronnaud. O filme de animação recebeu o prêmio do júri no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de melhor animação, vencido por **Ratatouille**, da Pixar. Em 2024, o jornal **The New York Times** incluiu **Persépolis** entre os 100 melhores livros publicados no século 21.
Neste ano, Satrapi recusou a Legião de Honra, principal distinção concedida pelo governo francês, em protesto contra o que considerava uma postura contraditória da França em relação ao Irã.
Segundo veículos da imprensa francesa, a família informou que a artista morreu pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido. Produtor, ator e roteirista, ele morreu em 8 de abril de 2025.
A artista também havia criado, em fevereiro, uma fundação para apoiar estudantes estrangeiros de cinema em Paris. A iniciativa, chamada Fundação de Cinema Mattias e Marjane Ripa-Satrapi, era vinculada à Academia de Belas Artes da França, que lamentou a morte da autora.
Marjane Satrapi deixa uma trajetória marcada pela crítica à teocracia iraniana e por obras que se tornaram referência no mercado editorial e no cinema.




