Na manhã desta quinta-feira (4), a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, recebeu grupos de jovens e adultos para a montagem dos tradicionais tapetes de Corpus Christi. Entre os participantes estava Vitória Nunes, de 18 anos, coordenadora do grupo jovem da Paróquia de São José, da comunidade Lúcio Costa, na periferia do Distrito Federal.
A estudante, que ajudava na preparação de um cálice desenhado com areia, tinta, sal, palha e serragem, participou da confecção de um dos 27 tapetes montados em um corredor de 125 metros. Os grupos chegaram cedo para iniciar os trabalhos manuais, feitos sem uso de celular ou ferramentas digitais.
Os tapetes foram produzidos por comunidades de diferentes regiões da capital. Durante a atividade, os jovens também se reuniram em rodas de conversa, cantaram e dançaram enquanto finalizavam os desenhos feitos à mão.
Na comunidade Lúcio Costa, segundo os organizadores, a participação de adolescentes e famílias tem crescido em meio à tensão provocada por processos de reintegração de posse. O grupo de jovens também se tornou espaço de convivência e apoio emocional.
Próximo dali, outro grupo periférico, formado por pessoas surdas, também trabalhou na montagem de um tapete e defendeu mais inclusão nas atividades religiosas. Entre os participantes estava Márcio da Cruz, de 36 anos, morador de Planaltina e integrante da pastoral há sete anos. Desempregado atualmente, ele tem interesse em seguir carreira na área de informática.
A mãe dele, Vânia Lúcia da Cruz, acompanhou a atividade e observou a dificuldade enfrentada por jovens surdos para encontrar espaço no mercado de trabalho formal. A comunicação entre os participantes era acompanhada pela professora Daniele Galeno, de 44 anos, coordenadora da Pastoral dos Surdos.
Outro grupo presente na Esplanada foi o Movimento Escalada, que chegou antes das 7h. A diretora da organização, Mariana Abrantes, de 23 anos, destacou a importância de aproximar os mais jovens das atividades religiosas por meio de linguagens e dinâmicas que dialoguem com a realidade deles.
Os relatos dos participantes acompanham a preocupação da Igreja com os impactos da tecnologia na vida dos jovens. No mês passado, o papa Leão XIV publicou uma carta encíclica pedindo regulamentação da inteligência artificial e alertando para riscos relacionados à desinformação.




