O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) realizou nesta sexta-feira (19) uma operação para avançar nas investigações sobre um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal.
Segundo apuração do órgão, contratos antigos de crédito consignado teriam sido usados para gerar descontos indevidos nos salários de empregados públicos distritais, com benefício para empresas privadas, associações e servidores.
Ao todo, 50 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília, Curitiba e São Paulo. Entre os alvos estão o banco digital PicPay, o presidente-executivo da empresa, Eduardo Chedid Simões, e o Banco de Brasília (BRB), estatal controlada pelo Governo do Distrito Federal.
Também foram alcançados pelos mandados a Secretaria de Economia do DF, associações de servidores e pessoas físicas, incluindo o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF).
Costa está preso desde abril no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes cometidos por executivos do Banco Master com participação de políticos e agentes públicos.
A Secretaria de Economia informou que promotores e policiais civis apreenderam equipamentos de trabalho usados por servidores da pasta. O órgão afirmou ainda que os acordos sob suspeita foram firmados em gestões anteriores e declarou colaborar com as investigações.
O PicPay negou irregularidades e afirmou que não pratica cobranças indevidas em operações de crédito consignado feitas por servidores do DF. A empresa disse que os valores antecipados eram disponibilizados no cartão do cliente após solicitação no aplicativo, sem intermediários, associações ou cobrança nessa modalidade. Também declarou que seus produtos seguem as normas vigentes e que continuará colaborando com as autoridades.
Em nota, o BRB esclareceu que o foco da investigação não é o banco em si, mas a BRB Serviços, empresa do conglomerado com CNPJ próprio e atuação restrita à gestão de uma plataforma tecnológica usada na operacionalização dos descontos em folha. A instituição afirmou que não possui contrato com a PicPay no contexto da operação e que sua participação se limita ao processamento dos descontos dos servidores. O banco disse ainda que não interfere na contratação nem nas condições das operações entre servidores e a instituição de pagamento.
O Iprev-DF também informou que a ação nas dependências do órgão teve como objetivo acessar e extrair informações do sistema de folha relacionadas às consignações. O instituto afirmou que não é alvo da operação.
A Agência Brasil não conseguiu contato com Eduardo Chedid Simões nem com seus advogados. A defesa de Paulo Henrique Costa informou que ainda não teve acesso aos autos e que só vai se manifestar depois de conhecer os detalhes da investigação.




