Pesquisadores do Brasil, da Austrália, da Alemanha e dos Estados Unidos identificaram um novo mecanismo global de fossilização capaz de պահպանr tecidos moles e até esteroides em um pterossauro do período Cretáceo encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe, no Ceará.
A descoberta foi apresentada em estudo publicado no dia 18 na revista iScience. A pesquisa reuniu especialistas de 15 instituições e combinou análises de geoquímica, microscopia, tomografia 3D, espectrometria de massa e estudos isotópicos.
Segundo o trabalho, bactérias oxidantes de enxofre tiveram papel central na mineralização rápida do fóssil, o que permitiu a preservação tridimensional excepcional do material. O processo descrito pelos cientistas indica que a decomposição inicial do animal criou microambientes químicos favoráveis à atuação de microrganismos específicos, desencadeando a formação sucessiva de minerais como sulfatos, fosfatos e diferentes fases de carbonato.
O exemplar analisado pertence ao grupo Anhangueridae e tinha cerca de 8 metros de envergadura. Pterossauros foram répteis voadores que viveram ao lado dos dinossauros e estão entre os primeiros vertebrados capazes de voo motorizado, com espécies de grande porte que ultrapassavam 10 metros de abertura alar.
O estudo também registrou a presença de traços de esteroides, moléculas orgânicas muito frágeis, o que reforça a hipótese sobre a dieta desses animais, provavelmente baseada em peixes ou lulas.
O fóssil está depositado no Museu de Plácido Cidade Nuvens. A pesquisa foi desenvolvida por equipes ligadas ao Museu Nacional da UFRJ, à Universidade Regional do Cariri (URCA) e à Universidade Curtin, da Austrália, dentro da estrutura do INCT Paleovert, financiado pelo CNPq.




