A parceria entre a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul tem ampliado a integração entre pesquisa acadêmica e rotina pericial. O trabalho conjunto envolve estudantes, professores e profissionais do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses, com foco no desenvolvimento de métodos aplicados a exames criminais.
Um dos exemplos é a trajetória de Brenda Pache Moreschi. Ela iniciou contato com o laboratório de química e toxicologia do IALF em 2019, ainda na graduação em Química Tecnológica pela UFMS, por meio de um estágio voluntário. A experiência evoluiu para o trabalho de conclusão de curso, mestrado, doutorado e atuação profissional na área de cromatografia.
Entre os estudos desenvolvidos na cooperação está a pesquisa sobre bromadiolona, substância usada em rodenticidas. O método criado para identificar o composto em amostras de interesse forense e biológico já vem sendo utilizado pela Divisão de Química e Toxicologia em análises de conteúdo gástrico de cães e gatos com suspeita de envenenamento.
Formalizada em 2021, a cooperação entre a Polícia Científica, vinculada à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, e a UFMS terá cinco anos completos em 2026. O acordo envolve diferentes áreas da perícia oficial e, no IALF, se concentra especialmente na Divisão de Química e Toxicologia, em articulação com o Instituto de Química da universidade.
Brenda também retornou ao laboratório em 2021 para cumprir o estágio obrigatório. Na ocasião, desenvolveu o trabalho de conclusão de curso sobre a validação de um método analítico por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas para determinação de cocaína em materiais apreendidos em Mato Grosso do Sul.
A parceria também inclui orientação acadêmica, estágios supervisionados e produção científica. Já foram desenvolvidos trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado, teses de doutorado e artigos publicados em periódicos internacionais, com impacto direto no aprimoramento de metodologias usadas na rotina pericial.
Segundo o professor do Instituto de Química da UFMS, há cerca de dez projetos concluídos ou em andamento dentro da cooperação. Parte dessas pesquisas resultou em técnicas que passaram a ser incorporadas pelos peritos na elaboração de laudos.
Os estudos também abordam outras substâncias de interesse forense, como praguicidas e canabinoides sintéticos. Em Mato Grosso do Sul, a posição geográfica de fronteira e o fluxo constante de novas drogas sintéticas reforçam a necessidade de atualização dos métodos laboratoriais.
Após a passagem pelo IALF, Brenda concluiu o mestrado em Química Analítica pela UFMS e segue no doutorado na mesma área. Hoje, atua como gerente técnica em uma empresa de análises ambientais, com a cromatografia como eixo central de sua formação e carreira.




