ONS determina corte de geração excedente de energia pela segunda vez em 2024

**ONS aciona plano emergencial para conter excesso de energia neste domingo**

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ativou neste domingo (23), entre 11h e 13h30, medidas emergenciais para reduzir a geração de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN). Esta é a segunda vez em 2026 que o mecanismo é utilizado.

A ação não deve afetar o fornecimento aos consumidores. Os cortes serão executados pelas distribuidoras e têm como objetivo preservar a estabilidade da rede elétrica em um período de menor demanda, comum aos fins de semana.

O plano prevê a limitação temporária da produção de usinas classificadas como Tipo 3, conectadas às redes de distribuição. Estão nesse grupo pequenas centrais hidrelétricas, unidades movidas a biomassa e parques eólicos e solares de menor porte.

Além da restrição aplicada à geração distribuída, o ONS adotará providências adicionais para diminuir a produção de usinas sob sua coordenação direta.

O primeiro uso do plano neste ano ocorreu em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi. Na ocasião, foi determinado o gerenciamento de 1 mil megawatts entre 10h e 14h.

A Aneel aprovou o plano emergencial em 2025, diante da expansão acelerada da geração distribuída, especialmente de sistemas solares. Em agosto daquele ano, durante o Dia dos Pais, o volume excedente de energia elevou o risco de desequilíbrio no sistema. Na data, a geração distribuída correspondeu a 37,6% da demanda de eletricidade do país.

Para evitar falhas em larga escala, o operador reduziu naquele episódio a produção de hidrelétricas e termelétricas e limitou 98,5% da geração centralizada de energia eólica e solar.

O ONS também prepara uma ferramenta automática para interromper parte da geração distribuída em cenários críticos. Denominado Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), o sistema poderá cortar até 3 gigawatts, em três etapas de 1 GW cada, após o esgotamento de outras alternativas de controle.

A previsão é de que um projeto-piloto seja realizado até o fim de 2026 em uma distribuidora. Caso os testes apresentem resultado satisfatório, a adoção do mecanismo poderá avançar a partir de 2027.

A micro e minigeração distribuída reúne cerca de 50 GW de potência instalada no Brasil. O crescimento desse segmento amplia os desafios para a operação da rede, uma vez que parte da energia produzida não é acompanhada nem controlada diretamente pelo ONS.

As distribuidoras deverão seguir as determinações do operador para aplicar os cortes previstos. A Abradee defende a definição de procedimentos e critérios mais detalhados para orientar as restrições e dar previsibilidade operacional e jurídica aos geradores.

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