# Dívida pública dos EUA supera US$ 40 trilhões pela primeira vez
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez, depois de crescer US$ 1 trilhão em apenas cinco meses. A marca foi atingida antes das projeções do Escritório de Orçamento do Congresso americano (CBO), que estimava que o valor seria alcançado em 2027.
O estoque da dívida dobrou desde 2017. Do total, cerca de US$ 32 trilhões estão em circulação no mercado, enquanto aproximadamente US$ 8 trilhões são detidos por órgãos do próprio governo americano. O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, possui US$ 4,5 trilhões em títulos públicos.
O avanço do endividamento ocorre em meio à redução de impostos, especialmente para as faixas de renda mais altas, à manutenção de gastos militares próximos de US$ 1 trilhão e à elevação das despesas com juros.
Os custos financeiros da dívida chegaram a US$ 1,1 trilhão, mais que o dobro do registrado em 2021, quando os juros somaram US$ 419 bilhões. A alta das taxas está relacionada ao cenário inflacionário e à remuneração mais elevada exigida pelos investidores para títulos de longo prazo do Tesouro americano.
Em 18 de agosto, o rendimento dos títulos públicos dos Estados Unidos com vencimento em 30 anos alcançou 5,33%, o maior patamar desde 2007. Juros mais altos aumentam o custo de rolagem e financiamento da dívida federal.
Em 2025, o governo de Donald Trump aprovou novas reduções de impostos que elevaram em US$ 4,7 trilhões a estimativa de déficit acumulado para os próximos dez anos. No mesmo período projetado, houve previsão de corte de US$ 1 trilhão em gastos com saúde pública.
A arrecadação com impostos sobre lucros recuou 23% no atual ano fiscal. A carga tributária dos Estados Unidos equivale a cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo da média de 34% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Apesar do valor recorde, os Estados Unidos mantêm o dólar como principal moeda de reserva internacional e seguem emitindo dívida em sua própria moeda. Os títulos do Tesouro americano continuam entre os ativos mais utilizados por governos, fundos e instituições financeiras em todo o mundo.
O dólar responde por cerca de 57% das reservas internacionais globais, seguido pelo euro, com 20%, e pelo yuan chinês, com 2%. Ainda assim, alguns países reduziram suas posições em títulos americanos nos últimos anos. A China, por exemplo, passou de US$ 1,3 trilhão em papéis do Tesouro em 2013 para cerca de US$ 700 bilhões.
O aumento dos juros nos Estados Unidos também pode afetar outras economias, incluindo o Brasil, ao pressionar a manutenção de taxas de juros elevadas em mercados emergentes.




