**Trump critica Brasil por atuação contra PCC e CV em documento ao Congresso dos EUA**
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o governo brasileiro pela atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A avaliação está em documento anual enviado ao Congresso norte-americano na terça-feira (15), com a relação de países relevantes para o trânsito ou a produção de drogas ilícitas no ano fiscal de 2027.
No texto, Trump aponta o Brasil como um centro de circulação global de cocaína e cobra ações mais duras contra as duas facções. PCC e CV foram classificados pelos Estados Unidos como Organizações Terroristas Estrangeiras.
A designação foi anunciada pelo Departamento de Estado em 28 de maio e passou a valer em 5 de junho. A medida se baseou na legislação migratória norte-americana e em ordem executiva assinada por Trump.
Com essa classificação, as autoridades dos EUA passaram a dispor de instrumentos adicionais para impor sanções e adotar medidas contra indivíduos e empresas ligados às organizações. O governo brasileiro havia contestado a decisão, defendendo que o enfrentamento ao crime organizado ocorra sob responsabilidade do país, com cooperação internacional e respeito à soberania nacional.
Apesar das críticas, o Brasil não foi incluído entre os países considerados pelos Estados Unidos como em falha comprovada no cumprimento de compromissos internacionais de combate às drogas. Essa classificação atingiu Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.
O Brasil também ficou fora da lista norte-americana de principais países de trânsito ou produção de entorpecentes. A relação inclui Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
O Ministério das Relações Exteriores foi procurado para comentar a manifestação do presidente norte-americano.
**Avaliação de governos sul-americanos**
No documento, Trump faz referências favoráveis a governos da Argentina, do Equador e de El Salvador. Também destaca mudanças políticas recentes na Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru como elementos que, segundo a avaliação dos EUA, alteraram o cenário de cooperação no combate ao narcotráfico.
Na Colômbia, o texto menciona a eleição de Abelardo de la Espriella e o compromisso de seu governo com medidas contra o cultivo de coca e a fabricação de cocaína.
Em relação à Bolívia, o documento cita a vitória de Rodrigo Paz, em 2025, e a ampliação da cooperação bilateral nas áreas de segurança e combate às drogas. No caso peruano, a mensagem registra a disposição da presidente Keiko Fujimori de atuar com os Estados Unidos e outros países no enfrentamento a organizações criminosas e ao envio de cocaína.
Mesmo com as referências positivas, Peru, Colômbia, Equador e Venezuela continuam na lista de países relevantes para a rota ou produção de drogas. O próprio documento ressalta que essa condição não representa, necessariamente, falta de colaboração dos governos locais.
**México, Canadá e China**
A mensagem também cobra medidas adicionais de México e Canadá. O governo norte-americano aponta a persistência do fluxo de drogas sintéticas pela fronteira canadense, incluindo fentanil produzido em laboratórios clandestinos e produtos químicos precursores.
Sobre o México, o documento relaciona a necessidade de reforçar o combate a grupos criminosos, ampliar inspeções em pontos de entrada e aumentar a participação do setor privado na segurança da cadeia de fornecimento.
A China é citada como principal produtora de diversos produtos químicos usados na fabricação ilegal de fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas. O texto registra a adoção de exigências de licenças para a exportação de determinados precursores à América do Norte, mas afirma que redes criminosas ainda utilizam substâncias não regulamentadas para contornar os controles.




