# Desenrola 3.0 abre prazo para credores apresentarem dívidas ao governo
Bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios terão cinco dias úteis para informar ao governo quais carteiras de dívidas pretendem oferecer na primeira etapa do Desenrola 3.0. O edital de chamamento foi publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União.
A previsão é que os credores apresentem até R$ 90 bilhões em débitos antigos. Esse levantamento servirá para dimensionar o leilão de compra das carteiras pela União, com análise do volume de dívidas por faixa de renda. **Ainda não é a etapa de renegociação para os consumidores.**
O programa exige desconto mínimo de 90% sobre o valor original das dívidas. Se todo o montante estimado fosse adquirido por esse percentual, o desembolso chegaria a R$ 9 bilhões. O governo, porém, não é obrigado a comprar todas as carteiras apresentadas. A concorrência no leilão poderá resultar em descontos maiores, de 93% a 95%.
Após o prazo de apresentação das carteiras, o governo definirá as condições da disputa. O leilão está previsto para novembro, com possibilidade de ocorrer no início de dezembro. A organização da compra deverá priorizar devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs).
Criado por medida provisória assinada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Desenrola 3.0 prevê a aquisição de dívidas de até R$ 10 mil, considerado o valor original, com atrasos de 720 a 1.645 dias. Podem ser incluídos débitos de cartão de crédito, nas modalidades rotativa e parcelada, e de crédito pessoal sem desconto em folha, conforme as regras do programa.
No lançamento da iniciativa, a estimativa de dívidas elegíveis era de R$ 150 bilhões, com gasto aproximado de R$ 15 bilhões. Os R$ 90 bilhões previstos agora se referem à primeira chamada de credores.
Depois da compra, os débitos poderão ser renegociados com repasse dos descontos aos consumidores. Haverá possibilidade de pagamento à vista ou parcelado, com cobrança de juros no parcelamento. Prazos, taxas e procedimentos ainda dependem de definições do Conselho Monetário Nacional e de regulamentação.
Por enquanto, os consumidores não precisam procurar os bancos. As orientações para participar da renegociação serão divulgadas posteriormente.




