O governo dos Estados Unidos apreendeu, nesta quarta-feira, um petroleiro venezuelano carregado com cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo em águas internacionais. A operação provocou alta nos preços do petróleo no mercado global.
O Executivo da Venezuela condenou a ação, qualificando-a como roubo e ato de pirataria, e afirmou que medidas como essa integram um padrão de agressão direcionado às riquezas energéticas do país.
No início de dezembro, a Justiça norte-americana autorizou a venda da Citgo, subsidiária da estatal PDVSA que está sob controle dos EUA desde 2019, quando Washington deixou de reconhecer a reeleição de Nicolás Maduro. Caracas relacionou a apreensão do petroleiro a esse contexto de disputas sobre ativos e receitas petrolíferas.
A apreensão foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos. Imagens divulgadas mostram dois helicópteros aproximando-se da embarcação e militares desembarcando no convés.
Autoridades venezuelanas indicaram que vão recorrer a instâncias internacionais para contestar a ação.
Especialistas e documentos oficiais apontam que a Venezuela sofre sanções econômicas dos EUA desde 2017. Durante a campanha eleitoral de 2023, o então presidente norte-americano chegou a reconhecer publicamente tentativas de pressionar o país por meio do controle de ativos petrolíferos.
A operação ocorre em um cenário de maior presença militar e de fiscalizações em rotas marítimas no Caribe, justificadas por Washington como ações de combate ao narcotráfico. Observadores ressaltam que a Venezuela não figura entre os principais produtores mundiais de cocaína nem abriga os maiores cartéis.
No início deste mês, a Casa Branca publicou diretrizes da nova política de segurança nacional que reiteram a intenção dos EUA de manter proeminência na América Latina, em meio a tensões com países que mantêm relações próximas com Caracas.




