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sexta-feira, maio 15, 2026

Governo brasileiro manifesta preocupação com reforma tarifária aprovada no México

O governo brasileiro acompanha com atenção a reforma tarifária aprovada pelo Congresso do México, que estabelece tarifas de 5% a 50% sobre importações de países que não têm acordo de livre-comércio com o país.

Em nota conjunta, Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informaram que aguardam a publicação do texto final da lei para avaliar os impactos sobre as exportações brasileiras.

A proposta aprovada prevê alíquotas sobre cerca de 1,5 mil itens em 17 setores considerados estratégicos, entre eles automóveis e autopeças, vestuário, plástico, siderurgia e eletrodomésticos. Além do Brasil, também serão afetados países como China, Índia, Coreia do Sul, Rússia e África do Sul. A entrada em vigor está prevista para 1º de janeiro.

O governo brasileiro avalia que o setor automotivo deverá sofrer impacto limitado, em razão de um acordo setorial de livre comércio existente entre Brasil e México. Ainda assim, há preocupação de que a elevação de tarifas reduza preferências bilaterais em outros segmentos e prejudique comércio e investimentos, dependendo das listas finais de produtos.

Autoridades brasileiras mantêm contato com representantes mexicanos para tratar dos possíveis efeitos das mudanças. O governo reforçou a importância de que decisões unilaterais com impacto comercial sejam examinadas à luz da previsibilidade, da segurança jurídica e do aprofundamento da integração produtiva.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou que até 15% das exportações brasileiras destinadas ao México podem ser afetadas, e defendeu maior interlocução bilateral sobre o tema.

Aprovado em regime de urgência no Senado mexicano, o projeto teve 76 votos favoráveis, cinco contrários e 35 abstenções. Parlamentares que se abstiveram criticaram a tramitação acelerada e alertaram para risco inflacionário. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, apoia a medida e deve sancioná-la nos próximos dias.

A decisão vem em momento sensível, às vésperas da revisão prevista para 2026 do acordo de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado o governo mexicano, acusando o país de servir como rota de entrada de produtos chineses no mercado norte-americano. O governo chinês reagiu à medida classificando o protecionismo como prejudicial à economia global.

O governo mexicano afirma que a lei incide apenas sobre países sem acordos comerciais amplos, mas o Brasil mantém entendimentos setoriais com o México. Atualmente, o país representa 2,25% das exportações brasileiras e ocupou a sexta posição entre os principais destinos de janeiro a novembro de 2025, com cerca de US$ 7 milhões exportados no período.

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