12 C
Dourados
segunda-feira, junho 8, 2026

Novo estudo desvenda por que os sintomas da febre de Oropouche diferem dos da dengue

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros durante o surto de febre do Oropouche em 2024 buscou auxiliar o diagnóstico e a diferenciação entre essa doença e a dengue em áreas onde ambas circulam.

Intitulado “Perfis clínicos e laboratoriais da doença do vírus Oropouche no surto de 2024 em Manaus, Amazônia Brasileira” e publicado na PLOS Neglected Tropical Diseases, o trabalho constatou semelhanças marcantes entre os quadros clínicos das duas viroses, mas também identificou diferenças relevantes.

Segundo a pesquisa, a febre do Oropouche tende a apresentar cefaleia mais intensa, maior frequência de dores articulares e erupções cutâneas mais disseminadas. Foram observadas também alterações laboratoriais mais evidentes, como discreto aumento de enzimas hepáticas e diferenças na resposta imunológica. Em contraste, o quadro de dengue costuma associar-se a redução mais acentuada de plaquetas e maior risco de sangramentos e choque. Ainda assim, o estudo conclui que apenas os sintomas não permitem distinguir com segurança as duas infecções.

Os pesquisadores reforçam a importância de identificar rapidamente sinais de gravidade — como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, confusão mental ou piora progressiva do estado geral — e de procurar atendimento de saúde imediato. Grupos considerados mais vulneráveis, como gestantes, crianças, idosos e pessoas com comorbidades, demandam atenção clínica precoce, mesmo diante de sintomas leves.

A investigação foi realizada pela Rede de Vigilância em Saúde Ampliada (Revisa), com apoio do Instituto Todos pela Saúde (ItpS). Pacientes com febre aguda atendidos na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus, foram acompanhados por até 28 dias, submetidos a avaliações clínicas, exames laboratoriais e testes específicos para dengue, Oropouche e outras arboviroses.

Na parte laboratorial, a equipe identificou que o surto de 2024 em Manaus foi causado por uma linhagem reordenada do vírus Oropouche. Essa linhagem já havia sido detectada em anos anteriores, mas apresentou características de maior virulência e replicação, o que pode ter contribuído para a intensidade e a amplitude do surto. Fatores ambientais, climáticos e a presença do vetor também foram apontados como determinantes para a disseminação.

A febre do Oropouche é transmitida principalmente pelo Culicoides paraensis, conhecido como maruim, cuja reprodução ocorre em ambientes naturais úmidos e ricos em matéria orgânica em decomposição. Após picar um hospedeiro infectado, o inseto pode transmitir o vírus a pessoas saudáveis durante dias seguintes à infecção.

A dengue, por sua vez, é transmitida pelo Aedes aegypti e tem alta incidência no país em razão da melhor adaptação do vetor a ambientes urbanos e ao clima favorável. As estratégias de controle da dengue incluem eliminação de criadouros, uso da tecnologia Wolbachia em algumas localidades e vacinação onde disponível. O controle da febre do Oropouche é mais complexo devido ao habitat natural do maruim.

Os autores do estudo defendem o fortalecimento do diagnóstico e do monitoramento das arboviroses. Entre as medidas sugeridas estão o acompanhamento da evolução genética dos vírus para identificar novas linhagens e a melhoria do diagnóstico diferencial em regiões com circulação simultânea de Oropouche e dengue.

OUTRAS NOTÍCIAS

REDES SOCIAIS

6,728FãsCurtir
123SeguidoresSeguir
6,890InscritosInscrever
spot_img

VÍDEOS