A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os conselhos federais de Medicina (CFM), Odontologia (CFO) e Farmácia (CFF) assinaram uma carta de intenção para promover o uso racional e seguro de agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.
O acordo visa prevenir riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares e proteger a saúde da população. Entre as ações previstas estão a troca de informações entre as instituições, o alinhamento técnico e iniciativas educativas direcionadas a profissionais de saúde e ao público.
A iniciativa integra um plano anunciado pela Anvisa no dia 6 para enfrentar irregularidades na importação e na manipulação desses medicamentos. O conjunto de medidas prevê incentivo à prescrição responsável, fortalecimento da notificação de eventos adversos e campanhas de orientação para profissionais e cidadãos.
A carta chama atenção para o uso ampliado desses fármacos — originalmente indicados para doenças crônicas como diabetes e obesidade — em contextos clínicos diversos. Também alerta para irregularidades verificadas em etapas como importação, manipulação, prescrição e dispensação, que podem expor pacientes a riscos evitáveis.
A Anvisa informou que, ainda nesta semana, publicará portarias para criar grupos de trabalho sobre o tema. Um dos grupos terá caráter consultivo e acompanhará a implementação do plano; o outro será formado por representantes dos conselhos para promover discussões técnicas qualificadas sobre os medicamentos.
Em ação administrativa, a agência determinou a apreensão dos produtos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada. A comercialização, distribuição, importação e utilização dessas fórmulas foram proibidas. Segundo a Anvisa, ambos são divulgados na internet como injetáveis de GLP-1, mas não possuem registro, notificação ou cadastro na agência, o que impede qualquer garantia quanto ao conteúdo e à qualidade.
No âmbito policial, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus vindo do Paraguai em Duque de Caxias com contrabando de canetas emagrecedoras e anabolizantes. O veículo estava sendo monitorado; 42 passageiros foram encaminhados à Cidade da Polícia. Um casal que embarcou em Foz do Iguaçu foi preso em flagrante com grande quantidade de produtos de origem paraguaia destinados à venda irregular, incluindo anabolizantes e cerca de mil frascos de canetas contendo tirzepatida.
Em fevereiro, a Anvisa publicou um alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso inadequado desses medicamentos. O grupo citado inclui dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. A agência ressaltou que, apesar dos riscos já previstos nas bulas dos produtos aprovados no Brasil, as notificações de eventos adversos têm aumentado em níveis nacional e internacional, exigindo reforço das orientações de segurança.
A Anvisa recomenda que esses medicamentos sejam usados apenas conforme as indicações aprovadas na bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado, devido ao potencial de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, em formas que podem ser necrotizantes e até fatais.




