Esta edição foi dedicada às vozes femininas que marcaram o rádio e a música popular brasileira. A Rádio Estamira, de Belém (PA), reservou espaço para homenagear a cantora Dalva de Oliveira.
Dalva de Oliveira nasceu Vicentina de Paulo Oliveira em Rio Claro (SP), em 5 de maio de 1917. Ainda criança passou a trabalhar em São Paulo para ajudar a mãe viúva, atuando como babá, arrumadeira, ajudante de cozinha e, mais tarde, como cozinheira de hotel. A carreira no rádio teve início após passagem pelo teatro.
No cenário musical, Dalva integrou o Trio de Ouro com Elivelto Martins e Nilo Chagas, nome dado pelo locutor César Ladeira. O conjunto foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga e, posteriormente, pela Rádio Clube, acumulando sucessos como Praça Onze, Ave Maria e Segredo. Relatos históricos indicam que o maestro Heitor Villa-Lobos utilizou discos de Dalva como exemplo de agudos perfeitos em aulas no Conservatório de Música.
O programa também resgatou o papel do rádio como espaço de construção de imaginários sonoros, lembrando outras intérpretes que fizeram história nas ondas hertzianas, entre elas Carmen Miranda, Marília Batista, Linda Batista, Hebe Camargo, Elisete Cardoso, Dircinha Batista e o Zimbo Trio.
Em Belém, o programa Viva Maria, veiculado pela Rádio Estamira e apresentado por Mara Regia, foi mencionado como espaço de difusão e mobilização feminina na Amazônia. Um acervo conservado por um pesquisador do Tocantins sobre a trajetória do Viva Maria foi usado para compor a homenagem.
O jornalismo local também incluiu referência ao jornalista Cláudio Paixão, que acompanha a programação da Rádio Nacional da Amazônia desde a infância. A data do Dia Mundial da Voz serviu para reforçar a atenção ao legado das chamadas “Supermarias”, mulheres que ganharam visibilidade por meio do programa.
Desde 1981, o Viva Maria contribuiu para a formação de lideranças locais e regionais. Entre as trajetórias citadas estão a de ex-vereadora Cristina Lopes Afonso e de agentes culturais como Kenya Silva, cuja produção poética teve destaque no programa.
O alcance do Viva Maria também aparece em relatos de ouvintes que encontraram no programa estímulo à mobilização e à reivindicação de direitos, inclusive em contextos de trabalho doméstico. Essas experiências ilustram o papel do veículo na promoção de redes de empatia, comunicação e alerta entre mulheres.
Para marcar a nova fase do programa, a iniciativa prevê ampliar a presença pelas plataformas digitais, buscando maior visibilidade para as mulheres que protagonizam a história do Viva Maria e do rádio comunitário.




