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quarta-feira, abril 29, 2026

OPAS alerta para aumento de casos de gripe K e VSR no Hemisfério Sul

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) lançou um alerta sobre o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemifério Sul, com predominância esperada da variante K do vírus Influenza A(H3N2).

A variante K, identificada pela primeira vez no ano anterior e que dominou a temporada de inverno no Hemisfério Norte, foi detectada no Brasil em dezembro de 2025. Estudos indicam que o subclado não apresenta maior gravidade em relação a outros, mas tem sido associado a períodos de transmissão mais prolongados.

No boletim epidemiológico publicado na segunda-feira (27), a Opas informou que a atividade de influenza ainda está baixa em nível geral, mas há sinais iniciais de aumento em alguns países, com predomínio do A(H3N2). A organização advertiu para a possibilidade de uma temporada de alta intensidade e, sobretudo, para picos concentrados na demanda por leitos e atendimentos, o que poderia comprometer a capacidade de resposta dos serviços de saúde.

No Brasil, a taxa de positividade para influenza permaneceu abaixo de 5% no primeiro trimestre de 2026 e começou a subir no fim de março, alcançando 7,4%. O Ministério da Saúde realiza sequenciamento genético por amostragem: entre os 607 testes processados até 21 de março, 72% corresponderam ao subclado K, refletindo a predominância da cepa.

Além da influenza, há aumento gradual da circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) em vários países, incluindo o Brasil. A tendência antecipa o padrão sazonal do VSR e pode elevar a carga de doença em lactentes e outros grupos vulneráveis nas próximas semanas.

Diante da circulação simultânea de VSR, influenza e casos ainda presentes de Covid-19, a Opas recomenda reforço das campanhas de vacinação para reduzir internações e óbitos e mitigar pressão sobre os serviços de saúde. Dados do hemisfério Norte apontam que a vacina contra a gripe manteve eficácia relevante na última temporada; por exemplo, houve redução de até 75% nas hospitalizações infantis no Reino Unido atribuída à imunização.

No Brasil, a vacina influenza é atualizada anualmente com base nas cepas que circularam no inverno do Hemisfério Norte. A formulação deste ano inclui a H3N2 entre as três variantes presentes. A campanha nacional de vacinação está em vigor, com prioridade para crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde, populações indígenas, professores e pessoas privadas de liberdade.

O Sistema Único de Saúde também fornece a vacina contra o VSR para gestantes, com objetivo de proteger recém-nascidos contra bronquiolite. As autoridades ainda reforçam medidas não farmacológicas: higiene das mãos, etiqueta respiratória e a recomendação de que pessoas com febre ou sintomas respiratórios permaneçam em casa até melhora dos sinais, evitando exposição em locais públicos e escolas.

A nova edição do Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na quarta-feira (29), corrobora a avaliação da Opas. O levantamento referente a 19 a 25 de abril registrou aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associados a Influenza A e VSR em todas as regiões do país.

Segundo o boletim, 24 das 27 unidades federativas estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG. Em 16 estados observa-se tendência de crescimento de casos no longo prazo. Em 2026 já foram notificados mais de 46 mil casos de SRAG no Brasil; em 44,3% desses a infecção viral foi confirmada laboratorialmente. Entre as confirmações, 26,4% corresponderam a Influenza A e 21,5% a VSR. Nas últimas quatro semanas, a proporção de casos positivos por Influenza A subiu para 31,6%, enquanto a de VSR atingiu 36,2%.

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