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sábado, maio 9, 2026

Aumento das importações de diesel da Rússia e dos EUA após fechamento de Ormuz

O Brasil ampliou as compras de diesel da Rússia e dos Estados Unidos para compensar a interrupção das importações do combustível a partir de março, após o agravamento do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz.

Dados do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram que a aquisição de diesel russo mais que dobrou em dois meses.

Entre março e abril, o país importou US$ 1,76 bilhão em diesel, sendo 81,25% desse total oriundo da Rússia, o equivalente a US$ 1,43 bilhão. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 6,42% do total, ou US$ 112,92 milhões.

Somente em abril, a dependência do produto russo foi ainda maior. No mês, o Brasil comprou US$ 924 milhões em diesel da Rússia, o que representou 89,84% das importações do período. Os Estados Unidos responderam por US$ 104,44 milhões, ou 10,98%. O Reino Unido aparece na sequência com um volume residual de US$ 4.264.

Em março, o Brasil ainda conseguiu trazer diesel do Oriente Médio graças a embarques que já haviam deixado o Golfo Pérsico antes do início do conflito. Naquele mês, os Emirados Árabes Unidos venderam US$ 111,89 milhões em diesel ao país, enquanto a Arábia Saudita respondeu por US$ 99,23 milhões.

Os dados também apontam forte alta nas compras da Rússia ao longo do período. Em fevereiro, o valor importado foi de US$ 433,22 milhões. Em março, subiu para US$ 505,86 milhões e, em abril, ficou próximo de US$ 1 bilhão.

Para conter os efeitos da guerra sobre o preço do diesel, o governo federal adotou uma série de medidas. Em março, uma medida provisória destinou R$ 10 bilhões em subsídios para a importação e a comercialização do combustível.

Na mesma linha, um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou o PIS e a Cofins sobre o diesel, com impacto estimado de R$ 20 bilhões na arrecadação federal. Segundo estimativas do governo, a desoneração deve reduzir em R$ 0,32 o valor do litro na refinaria, enquanto a subvenção a produtores e importadores deve gerar queda adicional de R$ 0,32 por litro.

A equipe econômica afirmou que a perda de receita com as desonerações foi compensada pelo aumento na arrecadação de royalties do petróleo, impulsionado pela valorização do barril.

Em abril, o governo também criou um programa para que os estados reduzissem o ICMS sobre o diesel importado, com custos divididos igualmente entre União e governos estaduais. Após a prorrogação do prazo de adesão até a última terça-feira (5), apenas Rondônia não entrou no acordo.

A medida foi apresentada com potencial de reduzir em R$ 1,20 o preço do litro do diesel na bomba, com custo estimado de R$ 4 bilhões em dois meses. Depois, o Ministério da Fazenda informou que o valor do subsídio seria de R$ 3 bilhões.

Ainda em abril, o governo anunciou uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no país, com gasto estimado em R$ 3 bilhões por mês. Nos dois casos, as empresas terão de comprovar que a redução chegou ao consumidor.

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