A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou nesta quarta-feira (13) a análise do recurso apresentado pela Química Amparo, fabricante da marca Ypê, contra a suspensão da produção, venda e uso de itens da empresa.
A decisão foi anunciada na abertura da 8ª Reunião Ordinária da agência. O caso foi retirado da pauta e deve voltar a ser examinado na próxima sexta-feira (15).
Segundo a Anvisa, representantes da empresa e técnicos da agência vêm mantendo reuniões para tratar da redução dos riscos sanitários. A expectativa é de que a companhia apresente, nesta quinta-feira (14), medidas para corrigir as falhas identificadas na fábrica.
Em fiscalização realizada em abril, equipes da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Municipal de Amparo encontraram 76 irregularidades na unidade produtiva. Entre os problemas apontados está a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes.
A agência reforçou a orientação para que consumidores não utilizem os produtos com lotes terminados em 1, por causa do risco de contaminação.
A Ypê informou que segue colaborando com a Anvisa na busca de uma solução para a suspensão de lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes com fabricação final 1. A empresa disse ainda que apresentou à agência uma atualização do plano de ação e laudos técnicos sobre os processos industriais e a avaliação de risco ao consumidor.
A Anvisa também informou que a fábrica de Amparo avançou no cumprimento de 239 ações corretivas, listadas pela própria empresa, com base em inspeções feitas em 2024 e 2025.
Participaram da reunião o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle; o diretor Daniel Pereira, responsável pela fiscalização; o presidente da Ypê, Waldir Beira Júnior; e o COO da companhia, Jorge Eduardo Beira.
No dia 7, a Anvisa havia determinado a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de lotes da marca Ypê com numeração final 1, incluindo detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes. A agência apontou falhas em etapas consideradas críticas do processo produtivo, além de problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
Entre os riscos associados ao caso está a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, resistente a antibióticos e capaz de provocar infecções em pessoas com imunidade comprometida. Em alguns casos, a contaminação pode atingir o trato urinário ou o sistema respiratório.
Depois da apresentação do recurso, a liberação temporária da produção e da comercialização dos produtos foi restabelecida. Ainda assim, a Ypê não retomou a fabricação.
Entre os produtos atingidos pela medida estão linhas de lava-louças, lava-roupas e desinfetantes da Ypê, como Ypê Clear Care, Tixan Ypê, Atol e Bak Ypê, todos com lotes de fabricação terminados em 1.




