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domingo, junho 7, 2026

Peru vai às urnas neste domingo para eleger o 9º presidente em dez anos de crise política

Cerca de 27 milhões de peruanos vão às urnas neste domingo (7) para escolher o nono presidente do país em meio a uma década marcada por forte instabilidade institucional. Desde 2016, o Peru viu dois chefes de Estado renunciarem e outros seis serem afastados pelo Congresso, que acumula grande poder político no país.

A disputa chegou ao segundo turno com Keiko Fujimori, da direita, e Roberto Sánchez Palomino, candidato da esquerda. No primeiro turno, Fujimori obteve 17,1% dos votos, enquanto Sánchez terminou com 12%.

Apesar da vantagem inicial da filha do ex-ditador Alberto Fujimori, analistas avaliam que o resultado segue indefinido. A candidatura de Keiko tende a mobilizar tanto apoio quanto rejeição, em um cenário altamente polarizado.

Sánchez, deputado e aliado do ex-presidente Pedro Castillo, aposta em mudanças constitucionais para substituir a Carta herdada do período fujimorista. Ele também defende reformas sociais voltadas à ampliação de direitos.

Castillo venceu a eleição de 2021 justamente contra Keiko Fujimori, mas acabou destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado após tentar dissolver o Parlamento. Seus aliados sustentam que ele foi vítima do embate com o Congresso e de sua base de apoio entre eleitores rurais e indígenas.

A eleição também tem peso geopolítico para a região. O resultado no Peru pode influenciar o alinhamento político do continente, que nos últimos anos tem se aproximado dos Estados Unidos em países como Equador, Bolívia, Argentina e Chile.

Caso Fujimori vença, a tendência é de maior aproximação com Washington e com setores da extrema direita latino-americana. Uma vitória de Sánchez, por outro lado, não é vista por analistas como sinônimo de ruptura com os EUA, diante da fragilidade dos governos progressistas na América do Sul e da dificuldade de formação de um bloco regional mais autônomo.

A crise política peruana se arrasta há anos. O último presidente a concluir o mandato foi Ollanta Humala, que governou entre 2011 e 2016. Em seu governo, veio à tona o escândalo de corrupção ligado à Odebrecht. Em 2025, ele foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro e está preso em Lima.

Pedro Castillo também está encarcerado, com pena superior a 11 anos por tentativa de golpe e rebelião. Depois de sua queda, assumiu a vice Dina Boluarte, que enfrentou protestos violentos e uma forte crise de popularidade. Ela acabou destituída pelo Congresso em outubro de 2025.

Na sequência, o comando do país passou ao então presidente do Parlamento, José Jerí, que ficou apenas quatro meses no cargo. Em fevereiro do mesmo ano, o Congresso voltou a derrubá-lo, e José María Balcázar Zelada assumiu interinamente por meio de eleição indireta.

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