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terça-feira, junho 23, 2026

Festas juninas e julinas aumentam alerta para risco de queimaduras

As festas juninas e julinas, tradicionais em todo o país, exigem atenção redobrada para evitar queimaduras em crianças e adolescentes. O alerta foi divulgado nesta segunda-feira (22) pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em meio ao aumento da exposição a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras e alimentos quentes.

Segundo a entidade, crianças com menos de 5 anos concentram mais da metade das internações pediátricas por queimaduras no Brasil. Entre 2024 e 2025, esse grupo respondeu por 53,8% dos casos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS).

No total, o SUS contabilizou 13,8 mil internações de crianças e adolescentes por queimaduras e outros acidentes térmicos graves nos últimos dois anos. Foram 6.965 registros em 2024 e 6.855 em 2025. A SBP ressalta, porém, que o número real de ocorrências é maior, já que os dados oficiais incluem apenas os casos mais graves, que exigiram hospitalização.

Em média, quase 20 crianças e adolescentes foram internados por dia no período analisado. Entre os hospitalizados, 20% tinham entre 5 e 9 anos, o equivalente a 2.820 internações. Na sequência aparecem as faixas de 10 a 14 anos, com 1.848 casos, e de 15 a 19 anos, com 1.721.

A maior parte das internações está relacionada ao contato com fontes de calor e líquidos quentes, especialmente em ambientes domésticos. Também há registros ligados à fumaça, ao fogo, às chamas, à eletricidade, a temperaturas extremas, agressões e outros acidentes térmicos.

Os dados do Ministério da Saúde indicam ainda mais de 300 mortes por ano de crianças e adolescentes por queimaduras graves em 2023 e 2024.

A SBP orienta que crianças não manuseiem fogos de artifício, fósforos, isqueiros ou qualquer artefato que envolva fogo. A recomendação é manter os pequenos sempre sob supervisão de um adulto e longe de fontes de calor e materiais inflamáveis.

Além de líquidos ferventes, fogo e superfícies aquecidas, a entidade chama atenção para outros riscos, como produtos químicos, incluindo soda cáustica e itens de limpeza, agentes elétricos e substâncias inflamáveis, como álcool líquido e em gel. A pele infantil, segundo a SBP, é mais vulnerável e pode sofrer lesões mais profundas e com maior risco de sequelas.

No recorte regional, o Sudeste liderou as internações pediátricas por queimaduras e outros acidentes térmicos nos dois anos analisados, com 2.203 casos em 2024 e 2.328 em 2025. Em seguida aparecem Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste.

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