**MPF recorre para suspender atividades em bloco de petróleo na costa do Amapá**
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou, na segunda-feira (28), um recurso para pedir a suspensão imediata de perfurações e testes no bloco marítimo FZA-M-59, em águas profundas na costa do Amapá.
A apelação contesta uma decisão da Justiça Federal no estado que extinguiu a ação movida contra a União, o Ibama e a Petrobras. O juiz Anselmo da Silva considerou que já existem duas ações com o mesmo objeto e aplicou multa ao MPF por entender que o órgão tentou prejudicar um processo em andamento.
No recurso, os procuradores sustentam que as ações têm características diferentes e que a decisão não levou em conta riscos ao ecossistema marinho, compromissos climáticos e tratados internacionais.
O MPF também aponta fatos posteriores à autorização inicial, entre eles o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar, em janeiro. Segundo o órgão, a previsão original era perfurar um poço ao longo de cinco meses, mas o cronograma passou a incluir quatro poços até 2029.
Os procuradores ainda questionam os estudos sobre a possível trajetória de manchas de óleo e os impactos climáticos da atividade. O recurso aponta também a ausência de consulta a povos indígenas e a comunidades quilombolas e de pescadores.
No mês passado, a Petrobras confirmou pela primeira vez sinais de petróleo e gás natural no poço, localizado a 175 quilômetros da costa e a quase 2,9 mil metros de profundidade. Procurada sobre o recurso, a empresa ainda não havia respondido.




