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quarta-feira, junho 10, 2026

Governo assina contrato para compra da vacina contra dengue do Instituto Butantan

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou na sexta-feira (19) em São Paulo o contrato para a compra das primeiras doses da vacina contra a dengue produzidas pelo Instituto Butantan. O acordo prevê desembolso de cerca de R$ 368 milhões.

A Butantan-DV, aprovada pela Anvisa no início do mês, é a primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo. O registro autoriza a aplicação em pessoas entre 12 e 59 anos.

Nos próximos dias o Butantan deve entregar ao Ministério da Saúde 300 mil doses destinadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Essas vacinas serão usadas para imunizar voluntários que participaram dos estudos e moradores de Botucatu (SP) e Maranguape (CE). Há ainda a possibilidade de uso em Nova Lima (MG), onde serão realizados estudos sobre vacinação em massa. O Ministério projeta que as aplicações dessas primeiras doses comecem entre 17 e 18 de janeiro.

Até o fim de janeiro, está prevista a entrega de mais 1 milhão de doses, destinadas a profissionais de Atenção Primária à Saúde que atuam em unidades básicas e em visitas domiciliares.

O Instituto Butantan informou que trabalha para ampliar sua capacidade produtiva em parceria com outros fornecedores, com aumento da produção esperado a partir do segundo semestre de 2026. A parceria com a chinesa WuXi Vaccines visa possibilitar a entrega de até 30 milhões de doses ao Ministério da Saúde até o segundo semestre de 2026.

A estratégia de distribuição prevê ampliar a vacinação ao público geral à medida que o Butantan for entregando novas remessas. O plano inicial indica começo pelos adultos mais velhos, em torno de 59 anos, com avanço gradual até jovens de 15 anos.

Adolescentes entre 10 e 14 anos já recebem desde 2024 outra vacina contra a dengue, produzida pelo laboratório japonês Takeda e aplicada em duas doses. Desde a incorporação desse imunizante ao SUS, mais de 7,4 milhões de doses foram administradas. O Ministério da Saúde assegurou a compra de 9 milhões de doses dessa vacina para 2026.

Pessoas com mais de 60 anos ainda não são contempladas pela Butantan-DV, pois não houve estudos clínicos com esse grupo. O Butantan projeta o início de testes para maiores de 60 anos em janeiro.

A Butantan-DV é baseada em vírus vivo atenuado e foi desenvolvida pelo Instituto em parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a WuXi Vaccines. Após os estudos clínicos, a Anvisa avaliou a vacina e registrou eficácia global de 74,7% contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos. Estudos publicados na revista The Lancet Infectious Diseases apontaram 89% de proteção contra formas graves da doença e contra casos com sinais de alarme.

Em 2024 o Brasil registrou cerca de 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, número quatro vezes maior que em 2023. Neste ano, até meados de novembro, foram notificados aproximadamente 1,6 milhão de casos prováveis. Desde o começo dos anos 2000, mais de 20 milhões de brasileiros já foram acometidos pela doença.

Autoridades de saúde destacam que a introdução da vacina não substitui as medidas de controle do mosquito Aedes aegypti. A principal ação preventiva continua sendo a eliminação de criadouros, como água parada em pratos de plantas, pneus e recipientes que acumulem líquido.

A dengue é transmitida pelo Aedes aegypti. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor atrás dos olhos, dores no corpo, manchas vermelhas na pele, coceira, náuseas e dores musculares e articulares.

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