Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que a Floresta Amazônica vem se tornando mais resistente à seca, numa adaptação lenta às temperaturas mais altas e à menor disponibilidade de água.
O levantamento analisou 40 anos de imagens de satélite e observações de campo em mais de 3 mil árvores, cobrindo os nove países amazônicos. O estudo foi publicado este mês em uma revista científica internacional e teve participação da Universidade de Oxford.
Os dados indicam que, nas estações secas, a variabilidade da luz refletida pelas copas diminuiu cerca de um terço desde a década de 1980. Segundo as conclusões do trabalho, essa alteração corresponde a uma mudança na composição e nas características das folhas, que se tornaram mais rígidas e resistentes a secas extremas, ao custo de menor manutenção da biodiversidade original.
Os autores também estimam que, se o ritmo atual de mudança persistir, áreas do sudeste da Bacia Amazônica poderão assumir, em três a quatro décadas, níveis de estabilidade semelhantes aos observados nas zonas de transição do Cerrado.
Os pesquisadores ressaltam que essas transformações ocorrem dentro de trechos de floresta aparentemente intactos. Diferentemente do desmatamento por corte, que é imediatamente visível, a perda de resiliência avança mesmo em áreas sem perturbação humana direta.
Pesquisa liderada por Milton Barbosa, da UFMG, com colaboração da Universidade de Oxford.
Com produção de Salete Sobreira.




