Oficina prisional em Mato Grosso do Sul produz fraldas geriátricas para testes
Uma oficina instalada no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) começou a confeccionar fraldas geriátricas descartáveis como parte do Projeto Desdobrar – Cuidado e Dignidade, desenvolvido em Mato Grosso do Sul.
Na primeira etapa, dez reeducandos receberam capacitação técnica e produziram 1.760 fraldas, organizadas em 220 pacotes com oito unidades cada. Todo o lote tem caráter experimental e será submetido a avaliação de uso por um grupo de controle, que inclui idosos atendidos no próprio IPCG e usuários das instituições beneficiadas.
Os primeiros testes foram destinados ao Sirpha Lar do Idoso e ao Hospital São Julião, instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. A avaliação dará prioridade ao uso noturno para verificar absorção e prevenção de vazamentos. Após o período de testes será elaborado um relatório técnico com base em questionários aplicados a usuários, pacientes e equipes, possibilitando ajustes antes de eventual ampliação da produção.
O projeto foi idealizado pelo juiz titular da 4ª Vara Criminal, José Henrique Kaster Franco, com tratativas iniciadas em meados de 2025. A iniciativa reúne esforços da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e do Sirpha Lar do Idoso, com acompanhamento do município de Campo Grande. Procuradores do município avaliam a viabilidade de aquisição de insumos e de remuneração dos internos.
A Agepen informa que atualmente há mais de 7 mil internos em atividades laborais e mais de 4 mil participando de cursos educacionais, da alfabetização à pós-graduação. O sistema prisional do estado também conta com cerca de 250 empresas parceiras, segundo dados das instituições envolvidas no projeto.
O Sirpha Lar do Idoso atende 83 idosos e tem demanda diária elevada por fraldas; a média de consumo estimada é de até quatro fraldas por idoso por dia, o que representa aproximadamente 240 unidades diárias. No Hospital São Julião, a parceria com a Agepen já viabiliza a produção de enxovais e roupas hospitalares, e a confecção de fraldas pode contribuir para reduzir custos assistenciais no âmbito do SUS.
Os organizadores do Projeto Desdobrar ressaltam que a iniciativa busca promover ressocialização, qualificação profissional e possibilidade de remuneração futura aos participantes, além de atender necessidades sociais por meio da cooperação interinstitucional. A entrega das fraldas de teste marca avanço na implantação do modelo de produção e monitoramento da qualidade, segurança e conforto dos produtos.




