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domingo, abril 19, 2026

Na Alemanha, Lula propõe parceria com a Europa para a descarbonização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, neste domingo (19), a cooperação com a União Europeia para fortalecer uma matriz energética limpa e proteger empregos diante do avanço da inteligência artificial. O discurso ocorreu na abertura da Hannover Messe, na Alemanha, principal feira industrial do mundo.

Ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz e de representantes governamentais e empresariais, Lula propôs que regras europeias considerem a matriz energética brasileira para reduzir custos de energia e descarbonizar a indústria.

O presidente também afirmou ser necessário combater narrativas que colocam em dúvida a sustentabilidade da agricultura brasileira e avaliou como contraproducente a imposição de barreiras adicionais ao acesso a biocombustíveis, tanto do ponto de vista ambiental quanto energético.

Lula anunciou que, em 2026, o Brasil iniciará um programa robusto voltado à economia verde e à indústria 4.0. No mesmo discurso, tratou da complexidade do atual cenário geopolítico e alertou para riscos associados ao uso da inteligência artificial, inclusive em operações militares.

No campo trabalhista, o presidente destacou que o país registra o menor índice de desemprego de sua história e defendeu o fim da escala 6×1, com redução da jornada para garantir dois dias de descanso. Ele também pediu que empresários e pesquisadors considerem os impactos da inteligência artificial sobre os trabalhadores.

Sobre os efeitos do conflito no Oriente Médio, Lula avaliou que o Brasil está entre os países menos afetados, mas que o governo adotou medidas internas para minimizar impactos diante do fato de o país importar 30% do óleo diesel consumido. Ele chamou atenção para os gastos globais com guerras, estimados em US$ 2,7 trilhões, e pediu responsabilidade aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido).

O presidente apontou ainda consequências econômicas do conflito, como flutuações no preço do petróleo que encarecem energia e transporte, além da escassez de fertilizantes que prejudica a produção agrícola e agrava a insegurança alimentar. Nesse contexto, considerou necessária a reestruturação da Organização Mundial do Comércio, diante da sua aparente paralisia.

No comércio internacional, Lula destacou a entrada em vigor iminente do acordo entre Mercosul e União Europeia, que criará um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB estimado em US$ 22 trilhões.

Em relação ao meio ambiente, o presidente reafirmou o compromisso brasileiro de alcançar desmatamento zero na Amazônia até 2030 e relatou reduções recentes: 50% na Amazônia e 32% no Cerrado nos últimos três anos. Também ressaltou políticas de sustentabilidade nos combustíveis, com mistura de 30% de etanol na gasolina e 15% no biodiesel, além da produção de biocombustíveis sem comprometer cultivos alimentares ou florestas.

Lula destacou que cerca de 90% da energia elétrica brasileira é de fontes limpas e apontou potencial para produzir hidrogênio verde a custos competitivos. Sobre recursos minerais, informou que apenas 30% do potencial já está mapeado, mas o país já detém a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terras raras e a terceira de níquel. Nesse contexto, defendeu parcerias internacionais que incluam transferência de tecnologia, ao invés de limitar o Brasil ao papel de mero exportador.

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