Com cerca de 4 milhões de habitantes na região metropolitana, Dacar é a capital do Senegal e o ponto da África mais próximo das Américas, a aproximadamente 2.900 km do Brasil. A cidade sediou o 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, encontro de dois dias encerrado na terça-feira (21).
Participaram chefes de Estado e representantes de 38 países, entre eles 18 nações africanas, além de delegações de dez organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia (UE). O Brasil esteve representado pela embaixadora no Senegal, Daniella Xavier.
O fórum teve como objetivo diagnosticar desafios de segurança, debater propostas de solução e fortalecer o papel do Senegal como ator regional. O tema central desta edição foi “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”.
Com população próxima a 19 milhões, o Senegal é apontado como um dos países africanos mais estáveis. O evento também serviu para ampliar a visibilidade diplomática do país e sua inserção em iniciativas de cooperação Sul–Sul.
A região do Sahel voltou a ser destaque no debate. O Índice de Terrorismo Global 2026 aponta que o Sahel respondeu por mais da metade das mortes por terrorismo em 2025, com concentrações em Mali, Burkina Faso e Níger. Entre os países da sub-região estão Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Guiné, Chade, Camarões e Nigéria.
A programação do fórum abrangeu, além de segurança, temas como integração regional, soberania, mudanças climáticas, pandemias, crime transnacional, cibersegurança e tecnologia. Representantes de países fora da África também participaram das discussões.
O Senegal integra a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), aliança que reúne mais de 20 países e tem como objetivo preservar a parte Sul do Atlântico livre de conflitos geopolíticos. Há menos de duas semanas, o Brasil assumiu a liderança do grupo em evento no Rio de Janeiro.
Uma delegação dos Estados Unidos esteve presente no fórum, incluindo o subsecretário adjunto do Departamento de Estado Richard Michaels. A participação norte-americana destacou interesse na construção de cadeias de suprimentos para minerais críticos e na ampliação de relações comerciais com parceiros africanos.
O encontro consolidou o papel de Dacar como espaço de articulação multilateral sobre segurança e políticas africanas, reunindo lideranças e organismos internacionais em torno de uma agenda que combina respostas a crises imediatas e discussões sobre autonomia estratégica do continente.




