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sábado, abril 25, 2026

Palestinos votam em eleições municipais

Neste sábado (25), palestinos votaram em eleições locais que, pela primeira vez em cerca de duas décadas, incluíram a Faixa de Gaza. O pleito é visto como um termômetro do clima político, num contexto de tensões entre a Autoridade Palestina e o governo de Israel sobre o futuro de um Estado palestino.

A Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia, afirmou que a inclusão de Deir al-Balah reforça sua reivindicação de autoridade sobre Gaza, território do qual foi afastada pelo Hamas em 2007. Moradores do enclave, que enfrentam escassez de bens básicos, demonstraram interesse na possibilidade de participar do processo eleitoral.

A participação foi considerada baixa: 22,7% em Deir al-Balah e 53,44% na Cisjordânia, segundo dados oficiais. A apuração começou imediatamente, e as autoridades informaram que os resultados são esperados ainda neste sábado ou no domingo.

O presidente Mahmoud Abbas compareceu a uma seção eleitoral em Al-Bireh, perto de Ramallah.

Desde que um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor em outubro, negociações intermitentes lideradas por Washington não avançaram na definição de um modelo de supervisão internacional para Gaza. Governos europeus e árabes apoiam, de forma ampla, o eventual retorno da governança da Autoridade Palestina ao território e a criação de um Estado palestino independente abrangendo Gaza, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia.

A votação deste sábado é a primeira de qualquer tipo em Gaza desde 2006 e as primeiras eleições palestinas realizadas desde o início da guerra em Gaza, há mais de dois anos, após um ataque transfronteiriço do Hamas contra comunidades no sul de Israel. As últimas eleições municipais na Cisjordânia foram realizadas há quatro anos.

A Autoridade Palestina enfrenta dificuldades financeiras para pagar salários, após Israel reter receitas tributárias recolhidas em seu nome, o que aumentou temores de um colapso econômico. Israel justifica a retenção como medida de protesto contra pagamentos a prisioneiros e a familiares de mortos, alegando que essas transferências incentivam ataques. O governo israelense também adotou medidas para facilitar a aquisição de terras por colonos na Cisjordânia.

Em Deir al-Balah, menos afetada pelos ataques israelenses desde 2023 que outras partes de Gaza, faixas com listas de candidatos foram afixadas em prédios e ruas. O comitê eleitoral palestino citou a destruição generalizada como razão para a impossibilidade de realizar votação no restante da Faixa de Gaza, da qual mais da metade está sob controle israelense e o restante sob domínio do Hamas.

Algumas facções palestinas boicotaram o pleito em protesto contra exigências da Autoridade Palestina para que candidatos apoiassem determinados acordos, incluindo o reconhecimento do Estado de Israel. O Hamas não apresentou lista formalmente, mas ao menos uma das listas concorrentes em Deir al-Balah foi identificada por moradores e observadores como alinhada ao movimento. Policiais civis ligados ao grupo foram mobilizados para proteger as seções eleitorais em Gaza.

O Comitê Central Eleitoral Palestino registrou mais de um milhão de eleitores aptos a votar, incluindo cerca de 70 mil residentes da Faixa de Gaza.

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